São Paulo, 09 (AE) - A iniciativa do São Paulo de criar uma torcida uniformizada politicamente correta, por meio do Projeto Sócio-Torcedor, enfrenta um difícil obstáculo: os grupos auto-intitulados organizados, alguns extintos pela Justiça, mas ainda atuantes nos estádios da capital. "Infelizmente, a violência assusta as pessoas interessadas por futebol, que deixam de acompanhar os jogos de perto", afirmou o diretor de Comunicação do clube, Edson Lapolla.
Quando lançou o projeto em janeiro, o presidente do São Paulo, José Augusto Bastos Neto, disse que a idéia era chegar em dezembro aos 100 mil sócios, idéia ousada, mas viável. A pouco mais de dois meses do fim do ano, o clube cadastrou, no entanto, 25 mil torcedores, apenas um quarto do número previsto. "É uma situação complicada", lamentou Lapolla.
Apesar de contar com o apoio da Polícia Militar e do Ministério Público Estadual, que combatem a violência dentro e fora dos estádios, o São Paulo sofre prejuízos com seguidores do próprio time, a maioria da Independente, cuja sede foi lacrada recentemente. Seus integrantes continuam frequentando o Morumbi. Alguns dasafiam os policiais usando camisas da facção e entoando gritos de guerra.
"São selvagens e espalham o medo entre as pessoas", definiu Sílvio Villar, comandante do 2.º Batalhão de Choque da PM, que classificou a Independente como a torcida mais violenta deste ano. Entre os associados da uniformizada, estão jovens pobres, oriundos da periferia da cidade. Já os sócio-torcedores são, em sua maioria, adolescentes de classe média.
Mesmo em dificuldades, o São Paulo chega a atrair de 300 a 400 novos torcedores por mês, apoiando-se em parcerias com a iniciativa privada para a realização de promoções e descontos. Os sócios, que pagam metade do valor dos ingressos nos jogos cujo mando pertence ao Tricolor, ganharam um espaço especial no Morumbi. Saíram das arquibancadas atrás do gol e foram para o setor azul, central.
Os torcedores podem conseguir informações ou se inscrever pelo telefone 0800-120812 (ligação gratuita) ou pessoalmente no estádio, pelo portão 7, de terça-feira a domingo. A mensalidade é de R$ 10,00.

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