São Paulo - Cruzeiro, Atlético Paranaense e Corinthians. Três clubes que não estão na briga pelo título do Campeonato Brasileiro deste ano, mas que servem de exemplo para o São Paulo não deixar escapar a chance de ser campeão em 2006. Nas reuniões com o elenco, o técnico Muricy Ramalho cita a situação dessas equipes nas últimas três competições nacionais para que seus jogadores mantenham a concentração nas dez rodadas finais.
''Em 2004, o Atlético-PR estava quatro pontos na frente do Santos e perdeu a vantagem num empate com o Grêmio'', lembra o volante Josué. ''Em 2003 e 2005, Cruzeiro e Corinthians tinham dez pontos de diferença para o segundo colocado, a dez rodadas do fim, e ninguém dizia que seriam campeões'', observa. ''Por isso, não podemos nos acomodar com a vantagem de sete pontos.''
O alerta do treinador serve para o time já no duelo contra o Juventude, sábado, às 18h10, no Morumbi. ''A concentração em cada jogo é fundamental, porque o relaxamento pode nos tirar o título'', opina o zagueiro Miranda, que no confronto diante dos gaúchos deve ter a companhia de Alex Silva na defesa - substitui Fabão, suspenso pelo terceiro cartão amarelo.
Nos planos da comissão técnica, o time precisa chegar nos duelos contra o Grêmio - dia 22, em Porto Alegre - e o Santos - dia 4 de novembro, na Vila Belmiro - com a maior vantagem possível. ''Por isso, precisamos ganhar todos os jogos que nos restam'', defende Muricy. ''Até o final do campeonato, o empate, mesmo fora de casa, não vai interessar para nenhuma equipe.''
O volante Mineiro, que estava na Suécia com a seleção brasileira, tem chegada prevista para o início da manhã de hoje. À tarde, deve treinar com o time, no Morumbi. Com a volta de Mineiro, Souza ou Thiago pode perder a posição diante do Juventude - embora Muricy pretenda manter o esquema tático com quatro homens no meio-campo. ''É difícil que o Muricy deixe o Mineiro fora do time'', arriscou Josué.
André Dias - Feliz por ver sua situação jurídica resolvida, depois que o São Paulo aceitou pagar R$ 2 milhões ao Goiás, o zagueiro André Dias diz que não vê a hora de voltar a ser aproveitado por Muricy. ''Estou na expectativa de jogar, imaginei que nem conseguiria voltar esse ano'', disse o zagueiro, que considerou sua situação pior do que um afastamento por contusão.
''Quando você está machucado, ainda tem uma perspectiva de fazer fisioterapia e, dali a um tempo, voltar a jogar. No meu caso, nem isso'', lamentou. André Dias chegou ao São Paulo no início do ano, depois de obter liminar que rescindia seu contrato com o Goiás - ele alegou atraso nos salários e no depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O Goiás recorreu à Justiça do Trabalho e conseguiu proibir que André Dias entrasse em campo enquanto não recebesse a multa rescisória. No início da pendência, quando o São Paulo esperava resolver a situação a qualquer momento, André Dias chegou a viajar para o México e para Porto Alegre para jogos contra Chivas e Inter pela Libertadores. ''Isso tudo me deixou bastante chateado, mas agora só quero esquecer isso, conquistar o título e levantar a taça no fim do ano.''

mockup