São Paulo faz homenagem ao mestre Telê
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domingo, 07 de dezembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo- Telê Santana da Silva voltou na sexta-feira ao Morumbi, depois de sete anos. Não entrou no estádio para dirigir o time. Não gritou com jogadores. Quieto, falando muito pouco - a isquemia cerebral de 1996, que interrompeu sua vitoriosa carreira, o atrapalha muito - dirigiu-se ao Salão Nobre do Clube, onde tornou-se o mais novo cidadão paulistano.
A chegada de Telê misturou emoção e lágrimas. Caminhando lentamente, ajudado pela mulher, Ivonete, e o filho Renê, e acompanhado pelos netos Camila e Diogo, foi recebido pelo presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa. A idéia era caminhar até o Memorial, onde Telê descerraria uma placa com o nome dos técnicos campeões no clube. Poucos passos dados, Telê viu Roberto Rojas. Parou e foi em direção ao técnico do São Paulo, que o abraçou demoradamente.
''Parabéns Rojas, você está trabalhando bem'', disse Telê. Rojas não falou nada. Não conseguiu. Depois, foi suscinto. ''Devo a ele a minha volta ao futebol. Eu estava no Chile em 93 e ele pediu a minha volta, me deu uma oportunidade. E eu nunca havia trabalhado com ele....'' Muitos choravam, mas ninguém como Kalef João Francisco, diretor de futebol no período de Telê como técnico do São Paulo.''Essa homenagem estava demorando muito'', dizia entre lágrimas.
Outras não virão. A diretoria não pretende aceitar a idéia de parte da torcida que pede a construção de um busto ao técnico. A homenagem foi uma a iniciativa do vereador Gilberto Natalini, do PSDB. Vascaíno, ele explicou a proposição. ''Ele está acima de toda paixão clubística. É um homem que congrega todas as torcidas. Para mim, Telê é um brasileiro sem fronteiras, um homem que nasceu em Minas e que pertence ao Brasil. Muito obrigado por comparecer a essa homenagem, Telê, e que o Fio de Esperança se renove sempre.''
Telê mostrava-se animado, apesar das dificuldades físicas. Cantou o Hino Nacional e também o hino do São Paulo. Depois, com ar ausente, ouviu as palavras do presidente Marcelo Portugal Gouvêa. ''O São Paulo tem marcos que ficarão na sua história para sempre. É bicampeão mundial de clubes e essa conquista é resumida pelo nome de Telê Santana. Ele ficará eternamente nos pedestais das glórias do São Paulo. Foi nosso grande comandante no bimundial, um título que nunca será esquecido.''


