Guayaquil - Dizer que as oito vitórias que o São Paulo conseguiu em 2004 não significaram quase nada talvez seja injusto. Mas é preciso lembrar, por outro lado, que a equipe ainda não teve um grande desafio na temporada. O são-paulino vai poder tirar, hoje, a partir das 21h15, uma conclusão mais precisa da real capacidade de seu time, pois o confronto com a Liga Deportiva Universitária (LDU), em Quito, trará, seguramente, mais dificuldade que as partidas anteriores.
Não só por sua importância o vencedor estará praticamente classificado para as oitavas-de-final da Libertadores , mas pelas adversidades que o São Paulo enfrentará. Não que a LDU, do modesto futebol equatoriano, tenha craques, dê espetáculo em suas apresentações, mas é, sem dúvida, o mais forte rival do grupo 4, tem entrosamento e um esquema tático bem definido.
O LDU venceu suas duas partidas com facilidade e ainda terá o apoio de cerca de 40 mil torcedores. ''Eles têm dois alas que jogariam em qualquer equipe do País, um ótimo zagueiro, dois atacantes rápidos e o Aguinaga, que é muito técnico, até parece jogador brasileiro'', analisou o técnico são-paulino Cuca.
Além do adversário e do fator campo, o São Paulo tem outra preocupação: a altitude, que vive incomodando em torneios na América do Sul. Quito está situada a 2.850 metros acima do nível do mar, o que torna o ar rarefeito e pode causar tontura, dor de cabeça e dificuldade na respiração de quem não está acostumado ao ambiente.
Justamente para minimizar o problema, a delegação do São Paulo passou a noite de ontem em Guayaquil, ao nível do mar, e seguirá apenas na tarde de hoje para Quito, onde chegará cerca de duas horas antes do início do jogo. ''Um empate já será bem-vindo'', admitiu o atacante Luís Fabiano.
Cuca não concorda que o São Paulo ainda não tenha passado por provas difíceis no ano e cita como exemplo o confronto com o Alianza, em Lima, com o Corinthians, no Morumbi, e com o América, em São José do Rio Preto. Reconhece, no entanto, que o time pode e deve evoluir. Acredita que o meio-campo tem de produzir mais - em sua opinião, Marquinhos está abaixo de suas condições técnicas - e que Grafite precisa manter mais regularidade em suas atuações.
Contra a LDU, o treinador terá, também, boa oportunidade para medir a maturidade do grupo, que conta com vários jovens, como Fábio Santos, de 18 anos.
São Paulo e LDU dividem a primeira posição do grupo 4, com 6 pontos em dois jogos, mas os equatorianos levam vantagem no saldo de gols. Na próxima semana, voltam a se enfrentar, no Morumbi. O time que atingir 12 pontos se garante na fase seguinte da Libertadores da América. Ou como campeão da chave ou como um dos melhores segundos colocados.



Em Quito

LDU

Jacinto Espinoza; Espínola, Jâcome, Geovanny Espinoza e Reasco; Obrégon, Patricio Urrutia, Paúl Ambrosi e Aguinaga; Murillo e Franklin Salas. Técnico: Jorge Fossati

São Paulo

Rogério Ceni; Cicinho, Fabão, Rodrigo e Gustavo Nery; Alexandre, Fábio Simplício, Marquinhos e Fábio Santos; Grafite e Luís Fabiano. Técnico: Cuca

Árbitro: Héctor Baldassi (ARG)
Estádio: Atahuapa
Horário: 21h15 (de Brasília)

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