Corinthians e São Paulo fizeram um jogo ruim, na tarde de ontem no Morumbi, e não conseguiram sair do 0 a 0. O alvinegro, que teve um gol anulado de maneira errada pelo árbitro, pelo menos interrrompeu a sequência de derrotas. O São Paulo, com mais um ponto ganho, ainda não garantiu matematicamente a classificação.
O atacante Sandro Hiroshi foi expulso após forçar a marcação de um pênalti inexistente. As duas torcidas saíram do estádio insatisfeitas com seus times. Bastou que o árbitro Romildo Corrêa apitasse o fim do jogo para que o clima de descontentamento tomasse conta delas. De um lado, os são-paulinos, revoltados pelo fato de o time ter permitido que o adversário quebrasse a sequência de dez derrotas consecutivas. Do outro, os corintianos, garantindo que vão continuar protestando. Na conta deles, o time completou o 11º jogo sem vitória.
Já para a polícia, o resultado não poderia ter sido melhor. O comando estava torcendo para que a partida terminasse empatada. Assim, os torcedores dos dois lados deixariam o estádio de forma tranquila. ‘‘Um ponto tira o Corinthians dessa crise de derrotas e, ao mesmo tempo, quase classifica o São Paulo. Por isso, em relação à paz aqui dentro, esse resultado é bem-vindo’’, afirmou o sub-comandante do 2º Batalhão de Choque, major Marcos Cabral Marinho de Moura.
A Fiel tinha uma razão a mais para incentivar e, conforme o caso, protestar contra o elenco. Para eles, vencer o clássico era mais importante do que superar a pior crise da história do clube. ‘‘Se eles vencerem o São Paulo está tudo resolvido’’, disse um dos líderes da torcida corintiana, Rangel Borba da Silva, minutos antes do jogo começar.
No final, o discurso era mais enfático. ‘‘Colocamos nossa faixa de cabeça para baixo e ela vai continuar assim até o final, mesmo que o Corinthians vença. Trata-se de uma manifestação contra a diretoria, que não se mexeu para evitar esse caos’’, declarou o corintiano Wildnei Rocha. Os torcedores garantiram que durante a semana vão continuar realizando manifestações ‘‘pacíficas’’ no Parque São Jorge.
Do lado Tricolor, as reclamações tinham dois alvos: o técnico Levir Culpi e o atacante França. O primeiro foi chamado de ‘‘burro’’ durante boa parte da partida. ‘‘Nosso time não tem pegada e foi omisso. Isso nós não podemos admitir’’, disse o torcedor André Clemente Borges na saída do Morumbi. ‘‘Ainda por cima não mostramos competência suficiente para vencer um time que todo mundo venceu.’’ Nem a classificação garantida minimizou a bronca. ‘‘Reabilitar o Corinthians foi uma derrota’’, sentenciou Carlos Sena Ramos.

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