São Paulo e Palmeiras, brigas desde a 2ª Guerra
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terça-feira, 19 de março de 2002
Agência Folha 
São Paulo - São Paulo e Palmeiras jogam hoje, às 21h, no Morumbi, pela liderança do Torneio Rio-SP-2002 com o mesmo clima de rivalidade entre os dois clubes que teve início há exatos 60 anos.
Na partida de hoje, que confronta o ataque sensação do São Paulo com o estilo pouco vistoso, mas eficiente, do Palmeiras, as duas equipes levam para campo um ressentimento que torna esse clássico com tons mais bélicos do que outros, incluindo os que envolvem o Corinthians, time mais popular do Estado.
Essa animosidade começou em 1942, quando o time do Morumbi, que tem os mesmos 23 pontos que o adversário no atual interestadual, mas leva ampla vantagem no saldo de gols, era então um recém-nascido e o do Parque Antarctica já tinha o status de grande paulista.
O motivo da discórdia foi um fato ocorrido fora do campo. Os palmeirenses acusam os rivais de participarem ativamente da campanha feita para que clubes com nomes que tivessem ligações com Alemanha, Itália e Japão, o eixo inimigo do Brasil na Segunda Guerra, fossem obrigados a mudar de denominação.
Isso fez com que o então Palestra Itália fosse obrigado a mudar seu nome, inicialmente para Palestra de São Paulo. A alteração não foi suficiente para satisfazer o São Paulo, que continuou fazendo campanha contra o rival, motivado, novamente segundo os palmeirenses, por uma segunda intenção.
O atual time do Morumbi estaria na verdade interessado em arrematar num leilão público o Parque Antarctica, o que poderia acontecer se o adversário não deixasse de vez o nome de Palestra.
Assim, em setembro de 1942, com medo de perder seu patrimônio, o clube adotou o nome Palmeiras e deu início a rivalidade que hoje motiva a disputa pela liderança do certame interestadual.
O São Paulo nunca fez pressão para tirar o estádio do Palestra. Quem fez pressão foi a torcida. Na época da guerra, descendente de italiano, alemão e japonês sofria pressão nas ruas, era chamado de quinta coluna. Isso passou para o futebol e pode ter tido uma certa influência na rivalidade entre os dois clubes, diz Agnelo Di Lorenzo, 73, historiador do São Paulo.


