São Paulo - Me dá a bola que eu resolvo. Para São Paulo e Portuguesa Santista, que iniciam hoje, às 21 horas, no Estádio do Morumbi, a disputa por uma vaga na final do Campeonato Paulista, gol é com bola rolando e, principalmente, em jogadas individuais.
Na contramão de um campeonato recheado de gols de cabeça e em cobranças de faltas, escanteios e pênaltis, lusos, que levam a vantagem do empate na série, e são-paulinos, segundo os números do Datafolha, preferem um drible, uma tabela ou um chute de longa distância para balançar as redes.
Mesmo com um elenco modesto, o time do litoral tem a artilharia em que a criatividade mais pesa. Foram seis gols anotados em jogadas individuais, ou 40% do total do time. Como comparação, o rico Corinthians só anotou duas vezes dessa forma.
No São Paulo, só dois dos 19 gols do time foram feitos em lances de bola parada - ambos em cobranças de escanteio. Somados, os duelistas só anotaram 11,8% de seus gols em cobranças de pênaltis, faltas ou escanteios, contra 31,7% de toda a concorrência.
Dando mais espaço para a criatividade, Oswaldo de Oliveira e o luso Pepe tiveram ótimo retorno. Seus times ostentam os ataques mais produtivos dos semifinalistas - são 19 gols da equipe da capital e 15 dos santistas.
''A característica das equipes é essa. Jogamos com mais velocidade, diferentemente de Corinthians e Palmeiras. Isso (o alto número de gols com a bola rolando) está ocorrendo pela proposta que nós colocamos'', diz Oswaldo de Oliveira, o técnico são-paulino, que ontem, devido às chuvas que atingiram a capital paulista, pouco conseguiu fazer no último treino da equipe.
Mesmo jogando fora de casa e contra um grande, a Santista não vê motivos para mudar seu estilo. ''Com todo o respeito ao São Paulo, vamos para lá para vencer'', declarou o atacante Rico, artilheiro do Paulista com sete gols e ex-atleta do clube do Morumbi.
Para diminuir a dependência da bola parada, São Paulo e Portuguesa Santista contam com jogadores de grande habilidade. Cada time tem dois jogadores na lista dos 12 maiores dribladores. As equipes também têm jogadores com facilidade para chutar de qualquer parte do campo.
Prova disso é o alto número de gols marcados em chutes de fora da área - foram quatro para o São Paulo e três para a Santista. A segunda partida da série entre os clubes acontece no próximo domingo, em Santos.
A diretoria do clube do litoral não aceitou a proposta são-paulina para realizar o confronto decisivo também no Morumbi. ''Vou fazer o quê? A Portuguesa deixou de ganhar um bom dinheiro. Agora espero que a federação tenha o bom senso de marcar o jogo na Vila'', lamenta Marcelo Portugal Gouvêa, presidente são-paulino.

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