Os jogadores do São Paulo resolveram adotar um discurso de superioridade para a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, domingo, no Mineirão. Para a maioria do grupo, o empate de 0 a 0 na primeira partida, anteontem, no Morumbi, não foi um mau resultado. A falta de gols, segundo os atletas, deveu-se exclusivamente à retranca armada pelo técnico cruzeirense Marco Aurélio do que à eventual falta de criatividade da equipe Tricolor no jogo.
Ontem, o clima de festa que rondava o Centro de Treinamento, ao som de uma guitarra e um saxofone à beira da piscina, contrastava, no entanto, com o tom de desafio nas declarações dos são-paulinos, que chegavam a mostrar uma certa irritação com o empate inesperado. ‘‘O Cruzeiro veio para se defender, armando um esquema conveniente para o time, mas agora vão ter de mostrar sua força e abrir o jogo se quiserem ser campeões’’, observou o goleiro Rogério Ceni.
Incomodado com o fato da equipe ter ficado sem marcar gols pela primeira vez em 31 partidas, o lateral-direito Belletti, que deverá se casar no sábado e seguir direto para a concentração, chegou até a insinuar que seu time é invencível quando pega um adversário que abra espaços, o que, segundo ele, deverá acontecer na final de domingo, às 18h30, no Mineirão. ‘‘Eles vão ter de se abrir e quem joga assim contra o São Paulo, perde’’, desafiou.
Outros jogadores atribuíram ao regulamento da competição o fato do São Paulo não ter ultrapassado o bloqueio defensivo armado pelo técnico cruzeirense. Pelo regulamento, um gol fora de casa vale o dobro. ‘‘Também não poderíamos nos descuidar totalmente da defesa porque se tomássemos um gol em casa, a situação se complicaria’’, destacou o zagueiro Edmílson, que teve sua venda ao Arsenal, por U$S 7,5 milhões, confirmada pelo presidente Paulo Amaral.
Edmílson reclamou que a diretoria são-paulina não lhe avisou sobre os exames médicos que deveria fazer segunda-feira no clube inglês, o que prejudicaria sua apresentação na seleção brasileira. ‘‘Quero deixar claro que minha prioridade é a seleção, ninguém me comunicou sobre esta viagem e quero que os dirigentes dos clubes e da CBF entrem em um acordo para que eu não saia prejudicado’’.
Para o técnico Levir Culpi, o jogo de domingo deverá ter outra característica. ‘‘O sistema defensivo deles impediu a movimentação de nossos atacantes, mas acho que no domingo eles deverão partir para cima’’. O treinador ressaltou que o grupo não se abalou com o empate. ‘‘A mídia está considerando o Cruzeiro como favorito e isto pode ser até bom para nós’’.

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