São Paulo - Os torcedores e até os adversários já sabiam há semanas que era questão de tempo para o São Paulo confirmar o título de tetracampeão brasileiro. Não foi como a torcida esperava, mas o empate por 1 a 1 com o Atlético-PR, ontem, no Morumbi, foi suficiente para colocar de vez na história o elenco que ganhou quase todos os títulos possíveis desde 2005 e coroa o trabalho de Muricy Ramalho e sua comissão técnica, além de fazer justiça à ampla superioridade da equipe, que alcançou recordes difíceis de serem batidos.
''Depois de três vices, agora temos o que comemorar'', festejou o volante Josué. ''Esse time mostrou que não se abate com qualquer derrota.''
É a quarta conquista nacional do clube do Morumbi, que já fora campeão em 1977, 1986 e 1991 e pela primeira vez confirmou o título em casa. Comandado por Rogério Ceni - de volta após contusão -, Fabão, Mineiro e Danilo, o São Paulo não retribuiu à altura o entusiasmo dos 68.421 torcedores - recorde de público no futebol brasileiro em 2006. Ao contrário do que ocorreu na final da Libertadores do ano passado, o Atlético-PR não foi um mero coadjuvante. Os paranaenses, porém, não foram capazes de anular as armas do rival, que abriu o placar num lance exaustivamente treinado: Souza cobrou uma falta na cabeça de Fabão. Era o início da festa.
O ataque do São Paulo, o melhor do campeonato, com 64 gols até agora, não foi tão incisivo, mas criou chances, com Danilo e Mineiro. Em compensação, a defesa, tantas vezes criticada, mereceu elogios - não só ontem, mas em todo o torneio teve ótimo desempenho, sofrendo apenas 32 gols, a segunda melhor da competição.
Na etapa final, os jogadores do São Paulo tentaram demonstrar a segurança que os caracterizou ao longo do campeonato. No total, serão 27 rodadas no primeiro lugar, posição que a equipe alcançou na 17 jornada e não mais deixou - o desempenho quebra a marca obtida por Cruzeiro (2003) e Corinthians (2005), que ficaram à frente por 18 rodadas.
Porém, o time são-paulino começou a administrar o jogo muito cedo. Não empolgou e ainda correu riscos.
A onze minutos do fim, Cristian empatou. O apito final de Alício Pena Júnior matematicamente não acabou com o campeonato, mas antes mesmo da confirmação da derrota do Inter para o Paraná, os milhares de torcedores no Morumbi e os milhões de são-paulinos pelo o País soltaram o grito, preso há vários jogos: ''Tetracampeão !''

EM SÃO PAULO

São Paulo 1

Rogério Ceni; Ilsinho, Fabão, Miranda e Júnior; Mineiro, Josué, Souza (Thiago) e Danilo; Leandro (Alex Silva) e Aloísio (Lenilson). Técnico: Muricy Ramalho.

Atlético-PR 1

Cléber; Evanilson, Danilo, Gustavo e Michel; Erandir, Alan Bahia (Marcelo Silva), Cristian e Ferreira; Denis Marques (Paulo Rink) e Marcos Aurélio (Valber). Técnico: Oswaldo Alvarez.

Árbitro: Alício Pena Júnior (MG)
Estádio: Morumbi
Gols: Fabão, aos 24 minutos do 1º tempo; Cristian, aos 34 minutos do 2º tempo

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