São Paulo - O São Paulo é mesmo quem manda no futebol brasileiro. É tri! É hexa! É o dono da bola. A supremacia absoluta e que agora não deixa margem para nenhuma dúvida - o Flamengo se considera detentor de cinco títulos, embora a CBF não reconheça - foi garantida ontem com a vitória por 1 a 0 sobre o Goiás, no estádio Bezerrão, na cidade do Gama (DF).
Coroou uma campanha indiscutível, marcada, acima de tudo, por forte poder de reação. Um time que já no segundo turno, ou seja, com o campeonato se aproximando de sua reta final, chegou a ficar 11 pontos atrás de um adversário como o Grêmio, mas conseguiu reagir e terminar três pontos à frente (75 a 72) merece ser campeão.
Pena que o mais disputado Brasileiro nos últimos anos termine maculado por mais uma confusão, esta nascida no sábado por conta de uma suspeita de tentativa de manipulação do jogo deste domingo no Distrito Federal. O árbitro da partida terminaria trocado, a CBF mais uma vez foi omissa, o São Paulo acabou rompendo com a Federação Paulista e ontem venceu com um gol irregular - Borges estava impedido ao desviar o chute de Hugo, aos 22 minutos do primeiro tempo, após o goleiro Harlei rebater a falta cobrada por Rogério Ceni. Mas nada disso desmerece a conquista tricolor, pelo que o time fez em 38 rodadas.
Nenhum time é mais campeão que o tricolor paulista desde que o Nacional foi criado, em 1971. Foram seis títulos (1977/1986/1991/2006/2007/2008), os três últimos consecutivos e comandados pelo mesmo homem, Muricy Ramalho, um técnico tão turrão quanto competente. ''Esse ano foi difícil, estive para sair, mas a torcida sempre me apoiou e decidi me apoiar no meu trabalho'', disse Muricy. ''Agora, o São Paulo é hexacampeão e eu tri. Acho que dificilmente vai acontecer isso outra vez'', comemorou.
Comemoração justa
O São Paulo de 2008, tecnicamente, é inferior aos das duas conquistas anteriores. Em alguns momentos do campeonato, estava tão mal que muitos são-paulinos jogaram a toalha. O próprio Muricy chegou a falar que a meta seria assegurar vaga na Libertadores (a equipe, aliás, vai disputar o torneio pela sexta vez seguida). Mas o time foi se entrosando, se acertando, as vitórias voltaram, mesmo com um futebol incapaz de encher os olhos da torcida, mas competitivo, e... o São Paulo chegou.
Com a bola rolando, o que se viu foi o São Paulo jogando como um campeão. Muricy soube neutralizar o ponto principal do Goiás, Paulo Baier. Para isso, ''colou'' Richarlyson no meia, responsável pela articulação das jogadas de seu time. Também fechou os espaços para que o eficiente lateral-direito Vitor não pudesse avançar com frequência.
E o título, num campeonato com o sistema de pontos corridos, ficou o time mais eficiente. Foram 21 vitórias, 12 empates e apenas 5 derrotas.



NO GAMA

Goiás 0

Harlei; Henrique, Ernando e Rafael Marques; Vitor, Fahel (Romerito), Ramalho, Julio César (Adriano Gabiru), Paulo Baier e Thiago Feltri; Fausto (Alex Terra). Técnico: Hélio do Anjos.

São Paulo 1

Rogério Ceni; Rodrigo, André Dias e Miranda; Joilson (Jancarlos), Richarlyson, Hernanes, Hugo e Jorge Wagner; Borges (André Lima) e Dagoberto (Bruno). Técnico: Muricy Ramalho.

Árbitro: Jaílson Macedo Freitas (BA)
Estádio: Bezerrão
Gols: Borges (22 do 1º)

mockup