São Paulo, 22 (AE) - A principal preocupação dos jogadores do São Paulo na disputa, com a Ponte Preta, por uma vaga para a semifinal do Campeonato Brasileiro é o Estádio Moisés Lucarelli. Além do gramado ser considerado péssimo, a falta de segurança no local está irritando a maioria dos atletas
que, no domingo, foram surpreendidos por pedras atiradas por torcedores adversários no ônibus da delegação.
"Um estádio como o da Ponte não tem condições de ser a sede de uma partida decisiva do Brasileiro", lamentou o zagueiro Nem. "A Federação Paulista (de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Polícia Militar sabem disso, mas ninguém faz nada; alguém terá de se machucar para que tomem providências." O ônibus do Tricolor foi atingido na chegada e na saída do Moisés Lucarelli.
O problema maior foi antes do jogo. Uma pedra atingiu um vidro lateral do ônibus, na direção da poltrona do meia Souza. "Os estilhaços e a pedra, muito grande, ficaram na cortina, que
por sorte, estava fechada", afirmou o goleiro Rogério. Na volta, foi ele o alvo da ira dos ponte-pretanos. "Levei um susto", lembrou. "Desta vez, porém, a pedra só trincou o vidro." Os são-paulinos criticaram a ação da PM, mas não pediram medidas mais drásticas para a diretoria do São Paulo. "O negócio é fechar as cortinas e entrar e sair do estádio abaixado no banco", contou o lateral-esquerdo Fábio Aurélio, autor do gol da equipe na derrota por 2 a 1, domingo. Esse foi o seu primeiro gol na competição. No final, o atraso na chegada do ônibus e a temida falta de segurança forçaram os jogadores a ficar no vestiário por mais tempo.
O estado do gramado é outro problema. O volante Jorginho
com experiência no futebol alemão e japonês, era o mais irritado. Chegou a declarar, domingo, que o campo era um dos piores do Brasil. Seu desabafo foi reforçado pelos companheiros, hoje, na reapresentação do time no CT da Barra Funda. "Não existem mínimas condições de jogo", alertou Rogério. "Um campo desses deveria ser interditado."

PROVOCAÇÃO - O lateral-direito Anderson não gostou das declarações "provocativas" do meia Régis, da Ponte, no fim da partida. O jogador disse que o São Paulo era uma verdadeira equipe de "pó de arroz", referindo-se à falta de garra dos atletas do Tricolor. "O Régis é um excelente jogador, mas, por falar demais, nunca estará num clube grande", rebateu Anderson.
O técnico Paulo César Carpegiani vai definir apenas amanhã a equipe que enfrentará, quarta-feira à noite, em Campinas, a Ponte, pelo terceiro jogo do playoff válido pelas quartas-de-final. Hoje, o treinador não apareceu no CT e o grupo titular participou somente de uma sessão de hidroginástica. O volante Edmílson, que cumpriu suspensão no domingo, poderá ser a novidade. O atacante Edu foi liberado pelos médicos para os treinamentos, após ter tomado três pontos na testa, sobre o olho esquerdo, muito inchado por uma pancada.

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