Marcos não quer que o sucesso mude sua cabeça. Herói do Palmeiras na vitória sobre o Corinthians por 2 a 0, quarta-feira, no Morumbi, pelas quartas-de-final da Taça Libertadores, ao fazer grandes defesas, o goleiro quer continuar humilde, mas com a ambição de firmar-se finalmente no futebol brasileiro.
O goleiro não se esquece dos tempos de ostracismo que viveu no Palmeiras. Marcos (foto) pensou até em deixar o clube no início da temporada, por causa da indefinição do seu futuro no time. Cansado de ser reserva de Velloso, o goleiro ficou à espera de uma proposta para ir embora. ‘‘A reserva estava prejudicando meu futebol’’, lembra.
‘‘Como engordo facilmente, toda vez que ficava no banco eu ganhava uns quilinhos, por isso queria ir para um outro clube, que me desse chance para ser titular’’, diz o goleiro, que atribuiu aos 2 a 0 sobre o Alvinegro ao empenho da sua equipe. ‘‘Não ganhei o jogo sozinho, o time lutou e eu estava no lugar certo na hora das defesas.’’
Com a contusão de Velloso, na véspera do segundo jogo contra o Corinthians, pela primeira fase da Libertadores, dia 27 de março, Marcos foi efetivado na posição. O Alviverde perdeu o jogo por 2 a 1, mesmo assim o goleiro ganhou apoio do técnico Luiz Felipe Scolari. No empate com o Vasco por 1 a 1, no Palestra Itália, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, Marcos foi um dos destaques da equipe.
Marcos deve ganhar definitivamente a posição. Velloso ainda levará no mínimo mais uma semana para voltar aos treinos normais. Mas o ex-titular prevê dificuldade na renovação do seu contrato, que terminará dia 3 de julho.
Para Marcos, a decisão de Velloso de deixar o Palmeiras não o acomoda. ‘‘A responsabilidade continua e não posso viver de glórias, porque cada partida é um desafio’’, diz o goleiro que começou a carreira no Parque Antártica como júnior em 1992. Nesse ano foi campeão paulista da categoria. No ano seguinte, era o terceiro goleiro do time profissional.
Em 94, Velloso foi embora, mas Marcos continuou como o terceiro goleiro, porque o Palmeiras havia contratado o paraguaio Gato Fernandez. A situação de Marcos começou a melhorar em 95, com a saída de Fernandez e Sérgio: ele passou a ser o reserva imediato de Velloso, que havia retornado ao Palmeiras. Assim, Marcos teve algumas oportunidades de jogar quando Velloso se machucava. Em 96, por exemplo, o ex-titular do Palmeiras sofreu uma fratura no tornozelo e ficou afastado quase dois meses do futebol. Marcos teve uma sequência de 17 partidas e foi até convocado pelo técnico Zagallo para um amistoso da seleção.

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