São Caetano do Sul, SP, 06 (AE) - Líder absoluto, melhor ataque, melhor índice de aproveitamento do Campeonato Brasileiro e goleiro convocado para a seleção brasileira sub-23 - que fará dois amistosos contra a Austrália dias 14 e 17. As coincidências podem ser muitas, mas o time em questão não é o Corinthians. Trata-se do São Caetano, que, a exemplo da equipe do Parque São Jorge, está vivendo um dos melhores anos de sua história. Só que na Série B do Brasileiro.
Neste domingo, o time paulista tentará provar, diante do Santa Cruz, no Recife, que a classificação antecipada para as finais não foi obra do acaso. O jogo será o primeiro de uma série de três das quartas-de-final. O São Caetano tem a vantagem de decidir a vagam em casa, no Estádio Anacleto Campanella.
A explicação para a campanha eficiente do São Caetano (13 vitórias, 6 empates e duas derrotas) está estritamente ligada a algo raro no desorganizado futebol brasileiro: planejamento. Para disputar o Brasileiro, o clube manteve a base da equipe campeã da Série A3 do Campeonato Paulista de 1998 e do time vice-campeão da Série C do mesmo ano.
Resultado: enquanto os demais times se acertavam no decorrer da primeira fase do Brasileiro deste ano, o São Caetano já entrou com a vantagem do conjunto. Além do entrosamento, há outros fatores responsáveis pela boa fase do clube.
Segundo o supervisor do Azulão, como o clube é conhecido, Carlos Eiki Baptista, a chegada da Datha Representações, em 1997
foi fundamental no processo de reerguimento do clube. A empresa - que investe R$ 100 mil por mês no clube - passou a participar da administração num regime de co-gestão e deu ao São Caetano uma infra-estrutura exemplar.
"As excelentes condições de trabalho deram tranquilidade aos jogadores, que recebem sempre em dia e têm todo o apoio que precisam", conta Baptista. "A partir da co-gestão, o São Caetano voltou a ser o clube que era no passado."
Tranquilidade - A prova de que as coisas deram certo ocorreu em campo. Depois do susto na estréia no Brasileiro - perdeu por 2 a 1 para o Avaí, em Florianópolis -, o São Caetano manteve a tranquilidade foi derrotado apenas mais uma vez em 20 jogos. Na primeira fase, o time paulista conseguiu resultados expressivos, como a vitória por 4 a 3 sobre o Goiás, em Goiânia, e o empate por 2 a 2 diante do Bahia, em Salvador.
No entanto, não são apenas os bons resultados que explicam a satisfação geral entre os jogadores do São Caetano. Dos mais jovens, como o goleiro Sílvio Luís, de 22 anos, até os mais experientes, como o meia Leto, de 31, as explicações para a boa fase do time são quase sempre as mesmas. "Tudo é muito organizado, diretoria é honesta e há um ótimo ambiente entre os atletas", explica Leto, que já passou por clubes grandes como Corinthians, Cruzeiro e Inter-RS.
Na opinião do técnico Luís Carlos Martins, a integração entre jogadores e comissão técnica tem sido um fator decisivo no campeonato. "Ninguém quer ser mais importante que o outro, tanto que não temos um jogador que desequilibra as partidas", analisa Martins. "Ganhamos muitos jogos na base da luta, do esforço conjunto."
O treinador do São Caetano sabe que, diante de clubes de massa e maior força política como Santa Cruz, Bahia e Goiás, o esforço terá de vir em dobro. "Somos os caçulas da Série B, e temos de jogar mais, correr mais e estar com a cabeça muito boa nos playoffs para suportar a pressão que os outros times exercem", prevê Martins.
O São Caetano deve entrar em campo amanhã com Luciano; Nelsinho (Válder), Daniel, Dininho e Wágner; Claudecir, Gilmar, Leto e Magrão; Zinho (Adhemar) e Márcio Griggio.

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