São Caetano do Sul - Um clima de total consternação tomou conta do Estádio Anacleto Campanella, ontem, um dia após a eliminação precoce do São Caetano do Campeonato Paulista. A derrota por 2 a 0 para o Palmeiras trouxe à tona algumas questões que incomodam este clube de apenas 13 anos de vida. A falta de tradição na camisa ou o peso da responsabilidade parecem ser as explicações mais comuns entre dirigentes, jogadores e a torcida, pequena mas exigente.
O técnico Mário Sérgio, antes do jogo já alertava sob o risco de um tropeço neste perigoso confronto com o Palmeiras. ''Se perdemos, seremos esquecidos''. Dito e feito. Os torcedores o criticaram muito após a derrota e também os próprios jogadores, deixando de lado a campanha espetacular na primeira fase do Paulistão. ''As pessoas são respeitadas pelos títulos que têm. E nós ainda não temos nenhum'', conforma-se Mário Sérgio, que após o jogo refugiou-se em sua casa em São Roque.
Apesar da decepção, a diretoria não altera os planos arrojados para deixar o clube cada vez mais forte no cenário nacional. O presidente Nairo Ferreira de Souza, desta vez, achou que o time foi vítima de um regulamento errôneo, que coloca em apenas um jogo o futuro do time sem considerar sua campanha anterior. Mas ele promete manter a mesma determinação no trabalho e seguir à risca os planos elaborados pela diretoria. ''As vitórias e derrotas fazem parte do futebol'', disse resignado.
Ele também não teme uma reação negativa dos principais investidores do clube, como a Casas Bahia e o empresário uruguaio Juan Figger. O vínculo entre o clube e seus parceiros, segundo a diretoria, não está atrelado apenas a sucessos e insucessos do dia-a-dia, mas sim de um planejamento a longo prazo.
Cabisbaixos - Os jogadores, que estavam com cara de assustados nos vestiários, se apresentaram ontem à tarde cabisbaixos e abatidos. ''Nós pensávamos grande, inclusive em conquistar o título. Então é difícil aceitar sair da competição ainda tão longe da final'', confirmou o atacante Adhemar, substituído por Anaílson no intervalo do jogo por opção tática do técnico.
Jogadores como Fábio Santos e Marco Aurélio pareciam ter a mesma opinião. ''Perdemos para nossos próprios erros. Tivemos chances de gols e não marcamos, no final fomos castigados'', justificou Fábio Santos. A derrota quebrou uma invencibilidade de 20 jogos e quase um ano dentro de casa. O São Caetano tinha perdido para o Cerro PorteÀo, por 1 a 0, em 10 de abril, pela Copa Libertadores da América.
O elenco ganhou folga no Carnaval. Na volta, quarta-feira às 16 horas, inicia os treinamentos visando o jogo contra o Botafogo-RJ, pela Copa do Brasil, com data e local ainda indefinidos.
Semelhanças - Mário Sérgio viu semelhanças entre as duas eliminações vividas por ele no clube. No Campeonato Brasileiro do ano passado, quando o time perdeu do Fluminense, por 3 a 0, no Maracanã, e agora quando sucumbiu diante do Palmeiras, por 2 a 0. ''Fizemos um péssimo segundo tempo'', concluiu. Então, por apenas 45 minutos de mau futebol, o time acabou eliminado do Paulistão, depois de uma campanha sensacional na primeira fase, com 100% de aproveitamento, 18 pontos em seis jogos disputados. No Brasileiro, segundo colocado na pontuação geral, o Azulão perdeu a vaga nas semifinais para o Fluminense, que se classificou na ''bacia das almas''. O Palmeiras, agora, também se qualificou para a fase quartas-de-final aos trancos e barrancos, com a vaga pelo índice técnico e um futebol bastante contestado.