Em clima de final de Copa do Mundo, a cidade de Santos parou ontem para concentrar sua atenção no jogo decisivo entre Santos e Cruzeiro. Por volta das 16 horas, o trânsito mostrava-se nervoso em vários pontos da cidade: quem não ia para o estádio, tinha pressa em chegar em casa para assistir à partida.
Nas proximidades da Vila Belmiro a festa era completa. Não parecia que o Santos precisava de três gols para garantir a sua chegada à final da Copa do Brasil. O entusiasmo era grande entre os torcedores santistas. Mais de 200 homens da PM foram recrutados para garantir a segurança do jogo. Enquanto a torcida do Santos era maciça e ruidosa, os torcedores do Cruzeiro chegavam timidamente em apenas três ônibus, recebendo a proteção da Polícia Militar, entrando pelos fundos do estádio Urbano Caldeira.
Apesar de todo esse cuidado, um rojão da torcida santista foi lançado em cima de um dos ônibus. Ninguém ficou ferido, mas o susto foi grande. O vendedor autônomo Jorge dos Reis, de 23 anos, dizia que valeu a pena sair de Belo Horizonte à meia-noite.
A euforia da torcida santista começou a perder um pouco do fôlego quando Ricardinho marcou para o Cruzeiro, aos 17 minutos do primeiro tempo. Mesmo assim o entusiasmo permaneceu durante todo o primeiro tempo, especialmente quando Rincón marcou, empatando a partida numa cobrança de pênalti.
Mineirão – A diretoria do Atlético-MG até que tentou incentivar a ida do torcedor ao Mineirão, reduzindo o preço dos ingressos para R$ 5,00, a arquibancada, e R$ 2,00, a geral. Mas a goleada sofrida na primeira partida inibiu a presença dos atleticanos.
O estádio recebeu um público apenas razoável, levando-se em conta a importância da partida. Vencer por uma diferença de quatro gols ou por 3 a 0, para levar a decisão para os pênaltis, era considerada uma missão bastante difícil, mesmo para o mais fanático torcedor alvinegro. ‘‘Estou confiante, tanto que vim ao estádio, mas é uma tarefa quase impossível’’, disse o estudante Luiz Felipe Guimarães Antunes, de 16 anos.
Antes do jogo começar, a torcida atleticana pedia raça aos jogadores, uma alusão ao que teria faltado no primeiro jogo. O gol de Marcelinho, aos 10 minutos do primeiro tempo, caiu como uma ducha de água fria sobre os atleticanos, que ensaiavam apoio ao time, o que, de fato, só voltou a ocorrer depois do empate de Guilherme, aos 22 minutos.

mockup