pode ter certeza de que Ele abre duas janelas". Sobre o futuro, arriscou uma filosofia: "se está tendo um problema, não adianta recorrer só na última hora, pois o futuro está reservando alguma coisa melhor para você, desde que saiba ajudar esse futuro". Sobre a crise, destacou que, desde o começo, procurou "tirar lenha da fogueira". De fato, Leão sempre colocou as coisas de uma maneira simples: é um funcionário do clube, tem um contrato assinado e vai cumpri-lo até o fim, dia 31 de dezembro. Justificou sua saída pela porta lateral em duas oportunidades, evitando a manifestação de alguns torcedores em frente ao portão principal. "Temos que ter inteligência, abertura e saber se conduzir num momento de maior aquecimento". Ressaltou que foi orientado por pessoas do clube. "Evitar é um dever de todo cidadão, mas tem hora que não dá para segurar", disse ele, acrescentando que "se ocorre uma ação mais grave, ela está sujeita a uma reação perigosa". Destacou que os manifestantes "em nenhum momento foram agressivos e expressavam o desejo pessoal ou o desejo pago" de afastá-lo do clube.Por José Rodrigues Santos, 16 (AE) - Com a decisão de manter o técnico Leão no comando da equipe para o Campeonato Brasileiro, os santistas começam agora a apagar as últimas marcas da crise em que o clube mergulhou depois de sua desclassificação no Paulista. Hoje foi um dia normal de treinos e a programação semanal continuava indefinida, à espera de uma possível excursão ao Paraná, onde o time jogaria dois amistosos. Esse foi o pretexto usado pela diretoria para cancelar a folga que o treinador havia programado para esta semana. O diretor de futebol, Vicenzo Di Gregori, esclareceu que a diretoria esteve reunida e concluiu que Leão deveria ser mantido como técnico do Santos. "A maioria considerou essa a melhor opção", disse ele, esclarecendo que o descontentamento com o trabalho do treinador ocorreu às vésperas do clássico contra o Corinthians, por desentendimento com funcionários. Com a desclassificação, explicou, aumentou a pressão para a saída do treinador, mas ele deverá ser mantido até o final do Brasileiro. O peso maior, porém, foi a pesada multa estabelecida para uma rescisão contratual, em torno de R$ 1,2 milhão. Leão sempre manifestou sua intenção de cumprir seu compromisso até o fim e, numa decisão de demiti-lo, a diretoria estaria obrigada a pagar seus direitos e ainda arcar com os salários de seu substituto. O treinador não quis comentar o peso dessa cláusula, mas disse que "se o Santos tivesse um bom dinheiro, iria investir em melhores jogadores e nas posições que precisamos". Crise - Leão falou hoje sobre os dias agitados e também de suas preocupações futuras com o clube. "Não posso esconder que a pressão para minha saída existiu e que vai continuar existindo por algum tempo ou definitivamente", disse. Ele admitiu que a decisão da diretoria dá uma tranquilidade maior: "Lógico que é melhor assim, pois desgasta menos". Embora tenha se mantido sempre como profissional, evitando entrar em atrito com a diretoria, o episódio deixou marcas na vida do treinador. Ele revelou um lado místico até então desconhecido pelos jornalistas que o acompanham no Santos. Depois de alertar para as dificuldades que o clube enfrentará no Campeonato Brasileiro, "uma competição muito perigosa e difícil", ele comentou que "todos os anos escutamos que o Santos vai disputá-lo para não cair e depois falam que tiramos leite de pedra". E aí começou a divagar: "todo mundo fala que você fez um milagre, o segundo e o terceiro milagre e, depois, o quarto deixa de existir". E completou o raciocínio: "Depois, querem conhecer Deus, mas Deus demora um pouco; é só para quem tem a pureza dalma e acho difícil encontrar isso num ser humano, invocando todos nós". Mais à frente, ele preferiu o popular para justificar sua tranquilidade: "quando Deus fecha uma porta

mockup