São Paulo - Foi uma longa espera, mas no início da noite de ontem, 21 anos depois daquela tarde de 3 de dezembro de 1984, a torcida do Santos pôde novamente comemorar a conquista de um título paulista. A festa, de um time com um grande comandante, o técnico Vanderlei Luxemburgo, mas sem grandes estrelas, foi garantida com a vitória por 2 a 0 sobre a Portuguesa, na Vila Belmiro, ou seja, em casa.
  Ao fazer a sua parte, o Santos chegou aos 43 pontos em 19 jogos e tornou inútil a vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Ituano, em Mogi-Mirim. O campeão do ano passado viu o bi fugir por 1 ponto.
  O título santista (o 16º estadual do clube) foi justo. Não só pela frieza dos números – o time teve a maior pontuação em uma disputa por pontos corridos, ainda que num campeonato com um só turno –, mas também pelo poder de superação demonstrado durante o campeonato. Com mais de uma dezena de jogadores recém-chegados, medalhões dispensados e futebol de baixo nível, o Santos das primeiras rodadas não animava ninguém a colocá-lo entre os candidatos ao títulos.
  Com o passar das rodadas, porém, Luxemburgo conseguiu dar um padrão ao time, que, sem condições de jogar um futebol vistoso, optou por ser competitivo ao extremo. Quando assumiu a liderança o Santos soube conservá-la, apesar de alguns tropeços que levaram a definição para a última rodada.
  Por isso, o torcedor assistiu ao início do jogo de ontem um pouco inseguro, tenso como os jogadores. Tensão que durou 23 minutos, até Cléber Santana fazer o primeiro gol. Logo após, o lateral-esquerdo Leonardo, da Portuguesa, foi cortar um cruzamento, mas errou e fez o segundo do Santos. A partir daí, alívio e certeza de título.
  Ainda assim, o grito de ‘‘é campeão’’ mostrou-se tímido no segundo tempo. O coro, claro, foi aumentando com a aproximação do fim da partida. E explodiu, desentalando gargantas, quando o jogo do São Paulo terminou, oito minutos antes do apito final na Vila Belmiro.
  O choro de alegria dos santistas na Vila contrastou, no mesmo local, com as lágrimas, de tristeza e decepção, de alguns jogadores da Portuguesa, rebaixada à Série A2. Queda inapelável de um clube que só vem regredindo nos últimos anos – em 2002 foi parar na Segunda Divisão nacional e de lá não mais consegue sair. Também caíram ontem o Guarani (outro que está na Segundona do Brasileiro), que não teve competência para fazer um único golzinho no pior time do Estadual, o Mogi Mirim, e a Portuguesa Santista, derrotada pelo Rio Branco, por 2 a 0.

  Luxemburgo – Ao levar o Santos ao título paulista depois do longo jejum de 21 campeonatos, apaga o arranhão em sua imagem deixado pela abrupta demissão no Real Madrid, no início de dezembro. É a segunda vez que responde a momento desfavorável na carreira com a conquista de um título. Em 2001, meses depois de ser derrubado da seleção brasileira como reflexo de denúncias de falsidade ideológica e sonegação fiscal que desestabilizaram seu trabalho, ganhou do Corinthians uma chance de se reabilitar e soube aproveitá-la, levando a equipe ao título estadual.
  Ontem, Vanderlei Luxemburgo foi campeão paulista pela sexta vez, coleção que iniciou em 1990, com o Bragantino, e cresceu com três títulos ganhos no Palmeiras, em 1993 (que encerrou 17 anos de jejum do time de Palestra Itália), 1994 e 1996, além da taça que ajudou a levar para o Parque São Jorge cinco anos atrás.
Na edição de amanhã, a Folha publica poster do Santos campeão.

EM SANTOS

Santos 2

Fábio Costa; Ávalos, Ronaldo e Wendel; Fabinho, Maldonado (Heleno), Cléber Santana, Léo Lima (Rodrigo Tabata) e Kleber; Geílson (Magnum) e Reinaldo. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Portuguesa 0

Gléguer; Jackson, Bruno, Emerson e Leonardo; Alexandre, Sandro, Rai (Joãozinho) e Cléber (Esley); Diogo e Johson (Anderson). Técnico: Edinho

Árbitro: Wilson Luiz Seneme
Estádio: Vila Belmiro
Público: 19.658 pessoas
Renda: R$ 308.590,00
Gols: Cléber Santana aos 23 e Leonardo (contra) aos 28 minutos do 1º tempo

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