Santos repetiu 'milagre' de 2002
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segunda-feira, 03 de maio de 2010
Sanches Filho<br> Agência Estado 
São Paulo - A formação do time avassalador do Santos 2010, se não é a repetição daquele de 2002, pelo menos tem inúmeros pontos em comum. O principal é que seus pilares foram dois jogadores especiais formados pelo próprio clube: Diego e Robinho naquela ocasião, Paulo Henrique Ganso e Neymar agora.
Outra coincidência é que Emerson Leão (o técnico de 2002) e Dorival Júnior não receberam nenhum jogador caro. Robinho é a exceção no time atual. Por tudo o que o atacante representa na história recente do clube, e por ser um jogador de seleção, seu retorno foi comemorado pela diretoria recém-empossada como a conquista de um título. Mas, quando Robinho chegou, o Santos de Dorival já estava pronto, e para jogar do jeito que o treinador projetou, no 4-4-2, com dois volantes técnicos, dois meias e dois atacantes.
Como ocorreu com Leão em 2002, Dorival Júnior recebeu um time que vinha de fracassos. Os dois elencos tinham excesso de jogadores para algumas posições e carências em outras. Por isso, foram dispensados mais de 20 atletas, alguns com salário europeu, como Kleber Pereira e Fabão. A folha de pagamento caiu de R$ 4,5 milhões por mês para aproximadamente R$ 3 milhões. Hoje, nenhum jogador santista ganha mais do que R$ 160 mil mensais, a não ser Robinho, que, para o clube, custa R$ 150 mil. A informação oficial é de que parceiros estão se encarregando de cobrir os outros R$ 850 mil para completar o salário de R$ 1 milhão mensais.
A nova administração sonhou com Diego Cavalieri para o gol, mas a camisa 1 acabou ficando com Felipe. Também chegou a sondar Keirrison e a negociar com pelo menos mais cinco centroavantes para o lugar de Kleber Pereira, porém mais uma vez a solução foi caseira, com a confirmação da revelação André. O líder e bom meia Marquinhos e Wesley, escolhas pontuais de Dorival Júnior, e a entrada de Arouca (cedido por empréstimo em troca da liberação de Rodrigo Souto para o São Paulo) deram a ''liga'' que faltou à equipe na temporada anterior.
O planejamento, até mesmo com a criação de uma comissão permanente (à exceção do técnico, de seu auxiliar e do preparador físico), também colaborou para que o Santos saísse de uma campanha vexatória no Brasileiro de 2009 para o sucesso nos primeiros meses de 2010. ''Foi atendida a ideia inicial de termos dois jogadores equivalentes para cada posição'', explicou Paulo Jamelli, gerente de futebol.
O primeiro passo foi se livrar de pessoas ligadas à administração do futebol que minaram o trabalho de vários treinadores nos últimos anos, causando sérios prejuízos ao clube. ''Não fossem as dívidas com bancos, o futebol do Santos já seria autossustentável'', afirmou o presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro.


