Santos prepara 'nova fornada' de craques
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Paulo Galdieri<br> Agência Estado 
São Paulo - Os próximos neymares, gansos, robinhos e diegos já estão subindo. E seus sucessores, garotos ainda mais novos que eles, sendo preparados antes mesmo de serem lançados no futebol. O berçário de craques está cheio. Mas o que tem feito da Vila Belmiro um dos maiores nascedouros de bons jogadores dos últimos anos no futebol brasileiro?
A infraestrutura é muito boa, mas admitem os próprios responsáveis pelas bases que não chega a ser as mais moderna do País. Mesmo assim, o Santos já tem pronta uma linha sucessória. A diferença talvez esteja em como usar tal estrutura. A palavra que talvez melhor resuma o trabalho da base santista é integração. Desde o Sub-11, primeira categoria do futebol de campo no clube, até o Sub-20, todos os jogadores são acompanhados pelo mesmo grupo de profissionais, mudando apenas os treinadores de cada categoria.
Os departamentos de fisioterapia, fisiologia e a preparação física armazenam dados de cada um dos garotos. Quando algum deles chega ao time principal, tudo é repassado para os respectivos responsáveis de cada área no departamento profissional.
A promoção de categoria acontece no fim de cada ano. São dois os tipos de avaliação feitos para decidir se um garoto tem condições de avançar para o novo patamar e trocar de turma.
A primeira é a idade. Quando atinge o limite da categoria em que está e se sua avaliação mostrar evolução de desempenho, o menino sobe. Se não, é dispensado. Parece cruel, mas é o mais correto com o próprio menino.
O segundo tipo de promoção é por competência. Quando um garoto se destaca no grupo correspondente à sua idade sua promoção é imediata. Ele passa a treinar com atletas mais velhos, mas que lhe oferecem maior capacidade de evolução. ''Aqui não se segura o garoto. Mostrou futebol, sobe'', diz Abel Verônico, auxiliar técnico dos juniores.
Portas abertas
Apesar de exigirem evolução constante de seus meninos, os profissionais da base do Santos deixam as portas abertas a todos que se julguem capazes de atuar com a camisa do time.
O sistema de aprovação não se limita às tradicionais peneiras, embora elas continuem a acontecer. Em vez da observação aleatória, o esquema do Santos prevê a realização de clínicas de futebol de até uma semana de duração em cidades por todo o País. Assim, os garotos podem ser observados por um tempo maior. Os melhores são convidados a ir para a Baixada.
Há ainda outras portas de entrada para a Vila: as escolinhas de futebol (são 32 franquias) mandam seus melhores alunos para testes mais detalhados no clube. Uma escolinha que indica um garoto motiva todos os outros que treinam no lugar.
Há ainda os famosos DVDs enviados por olheiros e também as indicações de jogadores do próprio time. Entre os juvenis há até um garoto apadrinhado por Neymar, indicado pelo pai do já famoso atacante santista.
E mesmo quem se dispor a arriscar pessoalmente pode conseguir um espaço para mostrar seu valor. ''Aqui a gente não dispensa ninguém. Afinal, não se sabe de onde vai surgir o talento'', diz Bebeto Stival, coordenador técnico das categorias de base.


