Santos culpa CBF por desgaste de Neymar
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Sanches Filho <br> Agência Estado 
Santos - Zico sugere que Neymar vá rapidamente para o futebol espanhol, fugindo da pancadaria que sofre dos marcadores brasileiros. O presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro ameaçou fotografar os estragos feitos pelas chuteiras adversárias nas canelas do maior talento do futebol brasileiro da atualidade para provar ao goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, que não procede a sua acusação de que 50% das faltas marcadas sobre o atacante são simulações. O ninguém discute é que Neymar está sendo vítima de marcadores desleais, com a complacência de alguns árbitros, e que o calendário do futebol brasileiro é desumano. Muita gente denuncia a situação e alguns prometem providências, mas ninguém faz nada.
Perto de completar dois anos sem férias, Neymar está à beira do estresse. A sua explosão com a marcação da falta cometida contra Pierre, aos 36 minutos do segundo tempo do jogo em que seu time perdia por 2 a 1, é o reflexo do esgotamento físico e emocional de um garoto que não apenas entrou 59 vezes em campo em 2011, mas que está sendo submetido a um massacre, em campo e fora dele, por tudo que envolve a sua carreira.
Como um fenômeno também no marketing, ele tem que se desdobrar para atender aos compromissos publicitários, sem contar a pressão que sofreu nos últimos meses para escolher entre Real Madrid e Barcelona qual poderá ser o seu novo endereço após os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.
O Santos se limita a apontar a CBF como responsável direta pelo desgaste excessivo de Neymar, mas com o cuidado de absolver o treinador da seleção brasileira. ''Não podemos culpar Mano Menezes, que pensa no trabalho dele'', afirmou o diretor de futebol, Pedro Luiz Nunes Conceição. ''O que não podemos admitir é que o Santos fique sem o seu principal jogador durante 110 dias na temporada. No todo, Neymar vai desfalcar o nosso time em 15 jogos. Às vezes para que ele defenda a seleção em jogos que não acrescentam nada''.
O dirigente sugere que os clubes, liderados pelas federações estaduais, se unam para obrigar a CBF a mudar o calendário nacional. ''O certo é parar o campeonato quando a seleção joga''.
Como Ronaldo e outros grandes jogadores no final da carreira, Neymar não reclama de treinar e muito menos de jogar. O que já o incomoda muito são as longas concentrações, longe da família e dos amigos, as cansativas viagens, com horas e mais horas de espera nos aeroportos, e os compromissos comerciais.
O diagnóstico de Muricy Ramalho é simples. ''O que tira Neymar do sério é esse rodízio (revezamento) de jogadores para fazer falta nele. Ele não pode fazer o que fez (aplaudir ironicamente o árbitro na marcação da falta). Mas, às vezes, o jogador se cansa de apanhar e o juiz até fica com vergonha de marcar tantas faltas. Neymar tem que acostumar e ter paciência porque vai jogar uma Copa do Mundo'', aconselhou o treinador.


