SANTOS CAMPEÃO
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Lágrimas de alegria, gritos, pulos, risos, frases desconexas, beijos, invasão de gramado, orações de joelhos, faixas enfim na posição correta. Torcedores e jogadores do Santos apresentaram simbiose perfeita, no início da noite deste domingo, no Morumbi, em um dos momentos mais dramáticos e felizes dos 90 anos da história do clube. Depois de 18 anos de espera, o time finalmente comemorou um título significativo, ao vencer o Corinthians por 3 a 2 no segundo duelo da final do Campeonato Brasileiro de 2002. Uma proeza heróica, mas sofrida, angustiante, tensa.
A serenidade do Santos obtida com os 2 a 0 na primeira partida da final sofreu abalo nos segundos iniciais do clássico. No primeiro toque na bola, Diego levou a mão à coxa esquerda, caiu e cobriu o rosto. Era o fim para um dos personagens centrais da campanha da equipe. Robert entrou no sufoco, com a missão de organizar o ataque.
O segundo susto dos santistas veio com um minuto, quando Guilherme desviou de cabeça cruzamento da esquerda. Dessa vez, brilhou a estrela de Fábio Costa, o goleiro que ficou fora de ação quase o ano todo, para recuperar-se de contusão. Nas arquibancadas, a apreensão dos santistas e os incentivos dos corintianos fazia supor que o duelo teria enredo bem diferente ao de sete dias atrás.
O Santos recuperou-se dos abalos prematuros, colocou a cabeça no lugar, tocou a bola, equilibrou a partida. O Corinthians, com Fabinho no meio-campo e Anderson no miolo da zaga, era mais confiável do que no fiasco do confronto anterior. O título se aproximou da garotada da Vila aos 37 minutos - por obra e graça de Robinho. O 'moleque' das finais pegou a bola na entrada da área, foi ciscando na frente de Rogério. O lateral, acuado, recuava, sem saber direito o que fazer, até Robinho dar o bote e ser puxado - pênalti que ele mesmo cobrou, com calma, sem chance para Doni: 1 a 0.
O Corinthians apertou no segundo tempo. Como precisava fazer três gols, partiu para cima, dominou, foi melhor do que o Santos. Mas as tentativas de Guilherme, Vampeta e companhia morriam nas mãos de Fábio Costa, em uma de suas melhores atuações no Santos.
A insistência corintiana foi premiada com a virada. Aos 30 minutos, Deivid empatou, de cabeça. Aos 39, Anderson virou, também com cabeçada certeira. O técnico Leão (expulso na metade do segundo tempo) e os 74.592 torcedores que pagaram ingresso viveram momentos de emoção incomparáveis nos minutos que restavam para Carlos Eugênio Simon assoprar o apito de encerramento.
Ao Corinthians, bastava mais um gol para uma reação memorável. Ao Santos, o empate seria suficiente. E a igualdade no placar veio aos 43 minutos, em parte com a assinatura de Robinho. O endiabrado garoto armou a jogada no lado direito do ataque e cruzou para Elano desviar. A festa santista explodiu nas arquibancadas e foi coroada com a virada definitiva. Robinho dançou diante de Kléber e Vampeta e serviu Léo, aos 47: 3 a 2. O Brasil é alvinegro, mas da Baixada.


