SANTOS - FALAMOS COM Arouca - «NÃO ME ACOMODO. TEM DE TER TESÃO POR TAÇAS»
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
BRUNO CASSUCCI<br> [email protected] 

O torcedor santista se assusta com a ideia de perder o ídolo Arouca, ainda mais quando o possível destino pode ser um rival. O Palmeiras tem interesse no volante e estuda uma forma de contratá-lo. Ao LANCE!, o jogador falou sobre o seu futuro e, se por um lado tranquilizou os alvinegros afirmando que está feliz no clube, tem tesão por títulos e pretende cumprir seu contrato que vai até 2016, por outro não descartou a possibilidade de jogar em outra equipe de São Paulo.
Mais uma vez, Arouca afirmou que só deixa a Vila Belmiro em caso de boa proposta para ele e para o clube, disse não tratar a ida para a Europa como um objetivo e negou que o mau momento santista em campo e financeiramente o motive a sair.
Confira o balanço que o camisa 5 fez do ano que se encerra e o que projeta para o seu futuro (no Santos?).
Você fez uma boa temporada, com mais gols que o comum, mas sem títulos. Como avalia o ano?
Individualmente foi um bom ano. O pessoal no Santos pegava no meu pé porque não marcava muitos gols, brincava comigo, mas esse ano veio a resposta (risos). Tive uma marca importante de disciplina também, tomei só um cartão em 2014 e completei oito anos sem ser expulso. Porém, acho que poderíamos ter conquistado títulos.
Batemos na trave duas vezes e isso poderia ter coroado uma boa temporada. Infelizmente, não aconteceu, mas vida que segue. São coisas que fazem parte do futebol.
Não levantar uma taça pelo segundo ano consecutivo é algo que te incomoda? Isso o faz repensar sua permanência?
Com certeza é uma situação que me incomoda. Desde que cheguei aqui me acostumei a participar de equipes vitoriosas e que conquistaram títulos históricos para o clube. Eu sei que já venci bastante pelo Santos, mas não me acomodo. Esse "tesão" por títulos tem que existir em todo atleta que atua em alto nível. Quando essa chama se apagar, é hora de repensar a carreira e buscar outra profissão. Eu quero ganhar sempre, sou fominha e é isso que move o jogador de futebol. Quanto a repensar a permanência, acho que não. Existe muita coisa envolvida, muito carinho pelo clube e isso pesa muito. Além disso, tenho um contrato e estou feliz aqui.
A que atribui o fato de o Santos ter ficado próximo de duas conquistas, Paulista e Copa do Brasil, mas ter deixado a chance escapar essas oportunidades?
É muito difícil dar uma explicação, pois pode soar como desculpa ou justificativa. Mas foram detalhes e momentos em que nossos adversários foram mais competentes que nós. O time estava voando no Paulista e perdeu na decisão por pênaltis. Na Copa do Brasil, conseguimos abrir a vantagem que precisávamos para eliminar o Cruzeiro na Vila Belmiro, mas do outro lado estava uma das melhores equipes do Brasil, que encontrou um gol quando a gente estava em vantagem e melhor na partida.
Poderíamos ter conquistado, mas merecimento no futebol é uma coisa muito relativa e nossos adversários, mesmo que tenhamos ido melhor, foram mais eficientes.
Acredita que com esse atual elenco o Santos pode almejar coisas grandes em 2015 ou é preciso trazer reforços?
É preciso se reforçar e planejar bem o ano que vem e se reforçar, da mesma forma que nossos adversários têm feito. Mas isso fica a cargo da diretoria e do novo presidente. Tenho certeza que eles farão de tudo para que nossa equipe seja ainda mais forte em 2015.
O Palmeiras analisa a sua contratação, embora você seja muito identificado com o Santos. Você iria para um rival caso tivesse uma boa oferta?
Uma coisa que eu aprendi na vida é não fechar portas. Eu tenho um carinho enorme pelo Santos. É um clube pelo qual sempre me doei ao máximo e entreguei a vida em campo. Mas um dia pode ser que o clube não me queira mais e eu tenha que sair para jogar em outro lugar.
Essa é a minha profissão e meu sustento. Se isso acontecer um dia, vou precisar encontrar um outro lugar para trabalhar e não descarto ninguém.
Você já recebeu algo nessa janela? Ainda tem o sonho de jogar na Europa?
Até agora, somente especulações que soube pela imprensa. Se alguém quiser me contratar, precisa procurar o Santos e o meu empresário para discutir a respeito.
Como já repeti algumas vezes, só vou conversar sobre minha saída se surgir algo que seja bom para o clube e que possa ser bom profissionalmente para mim também. Seria bacana jogar na Europa, mas não tenho isso como meta na minha vida. Se acontecer, seria bom por ter a oportunidade de conhecer uma cultura nova e poder viver em outro país, mas ainda tenho contrato aqui com o Santos e vamos ver o que vem pela frente. Estou bem tranquilo.
Você acredita que ainda pode voltar à Seleção Brasileira?
A esperança sempre vai existir. Esse ano, infelizmente, não tive as oportunidades que queria, mas continuo trabalhando e buscando a minha oportunidade. Sei que a concorrência é muito grande, existem excelentes jogadores na posição, mas tenho condições de chegar lá. Espero que a oportunidade chegue, vou batalhar bastante por isso.
Como está passando por esses atrasos salariais?
Já tinha vivido. Infelizmente é algo comum no futebol brasileiro e precisa ser mudado com urgência.


