Sanderlei tenta continuar treinando
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
No dia 22 de setembro, quando os 110 mil espectadores do Estádio Austrália, no Parque Olímpico de Sydney, estiverem assistindo à largada da final dos 400 metros rasos, o brasileiro Sanderlei Parrela, que era um dos favoritos à medalha, dificilmente estará alinhado entre os oito velocistas. Sanderlei viu seu mundo desabar quando teve resultado positivo em exame antidoping. Ontem, falando de Clenson, Carolina do Sul, Estados Unidos, onde mora e treina, ele disse que está arrasado, que não tem mais lágrimas de tanto chorar, não tem dormido e luta com a cabeça para manter-se treinando.
A distância da esposa Gilvaneide, que viajou para disputar o Estadual do Rio, pelo Vasco, agravou ainda mais a depressão. Do pai Dilmar e da mãe Noemia, que ligaram de Santos, veio o conselho: manter a calma, a esperança e ter fé em Deus. Sanderlei afirma que é inocente e acredita que a justiça vai ser feita.
Para defender-se, ele recorre ao seu biótipo franzino se comparado ao dos musculosos rivais, como o recordista mundial dos 400 metros, Michael Johnson. Sou magro, meu corpo diz logo que eu não tomo droga para aumentar a massa muscular, lembra. Sanderlei tenta encontrar explicações para o resultado positivo nos suplementos alimentares. Segundo o atleta, tanto o toxicologista que acompanha o caso, David Black, quanto a própria funcionária do laboratório onde o exame foi realizado, em Montreal, no Canadá, concordam que a quantidade de metabolite norandrosterone, o esteróide anabolizante encontrado nas amostras A e B de sua urina, é tão pequena que pode ser proveniente de alguns suplementos.
Todos os suplementos que o atleta estava usando foram enviados para um laboratório pelo técnico Luiz Alberto de Oliveira. Mas Sanderlei garante que as bulas não continham informações sobre a presença de esteróides. Ele revela que é metódico, lê todas as bulas e consulta o técnico até para tomar um suco que não conhece.
O corredor espera também que a boa fama do grupo do técnico Luiz Alberto, que sempre foi um crítico rigoroso das drogas, ajude sua defesa. Desse mesmo grupo, também fez parte o campeão olímpico dos 800 metros, Joaquim Cruz, que chegou a insinuar, em 1988, que atletas como Florence Griftty-Joyner e Jackie Joyner-Kersee usavam drogas.
Sanderlei, que começou a competir em Santos, mudou-se para os Estados Unidos há oito anos, abrindo mão do convívio com a família para tornar-se um corredor de elite. Venho batalhando há tanto tempo, agora que eu consigo isso, tiram de mim. Ocupar um dos três lugares no pódio olímpico dos Jogos de Sydney e ainda correr os 400 metros em um tempo inferior aos já velozes 44 segundos eram os seus ambiciosos objetivos.
O atleta ganhou a medalha de prata no Mundial de Sevilha, no ano passado, com 44s29, batendo o recorde sul-americano. Correu dez vezes a distância abaixo dos 45 segundos, em 1999. Resultados que Sanderlei afirmou serem fruto de trabalho árduo. Disse que continuará treinando e vai seguir o conselho do pai, de manter a esperança de lutar por um lugar na largada em Sydney.


