O paranaense Nélson Ferreira Júnior, de Barboza Ferraz, está apostando tudo na sua segunda participação olímpica. ‘‘Melhorei muito, principalmente no aspecto psicológico. Na Olimpíada passada tinha aquela pressão da primeira vez, mas agora não. Estou bem tranquilo’’, disse ele em entrevista exclusiva à Folha.
As eliminatórias do salto em distância estão programadas para as 20 horas (de Brasília) do dia 25. A final, para a madrugada (1h30) do dia 29.
Nélson participou da prova de salto em distância nos Jogos Olímpicos de Atlanta (96), mas uma contusão na perna direita o deixou fora da competição. ‘‘Lá eu forcei demais e acabei me estourando’’, recorda-se.
Ao contrário de Atlanta, quando foi apontado como um dos favoritos à medalha, Nelson agora tem consciência de que será uma surpresa se garantir um lugar no pódio. ‘‘Não participei do circuito europeu e minhas marcas estão mais modestas este ano’’, admite o paranaense, pai de Aline, de sete anos, e Fernanda, de dois anos. ‘‘Saltei 8,18 metros no Rio, mas para brigar por medalha em Sydney terei de obter mais de 8,30 metros’’, ele calcula.
Mesmo sabendo de suas limitações, Nelson está confiante. ‘‘Não é impossível. No meeting de quinta-feira eu queimei bastante salto acima de 8 metros que já me colocaria na final olímpica, sem me machucar e sem forçar muito’’, explicou. ‘‘Três dos meus adversários fortes estavam lá e saltaram 7m80, 7m90.’’
A única preocupação agora é descansar nos próximos dez dias para estrear em plena forma física. ‘‘Acredito que estou me sentindo um pouco mais cansado do que os outros por ter sido o último a conseguir o índice e por ter segurado um pouco o treinamento forte. Mas agora não vou saltar mais até o dia da prova’’, afirma ele. ‘‘Acho que isso vai ajudar a dar uma reativada na perna.’’
Segundo o atleta, a medalha está muito mais próxima desta vez, mas vai depender também de muita sorte no dia da prova. ‘‘Quem saltar acima de 8m20 leva a medalha’’, acredita.
Evidência – O saltador paranaense tem um motivo a mais para brigar por uma medalha olímpica. Além de estar realizando o seu maior sonho como atleta, vai estar levando de carona a realização de um outro: o de fazer sucesso com a música. ‘‘Acho que a medalha pode ajudar no sentido de me colocar um pouco mais em evidência.’’
Ex-baterista das bandas Lorraine, de Presidente Prudente, e Belos Malditos, de São Paulo, Nélson diz que, se conquistar a tão sonhada medalha, pretende tirar proveito da fama. ‘‘É um sonho antigo. Quero ver um disco gravado por uma gravadora mesmo e ter as minhas músicas tocadas por outras bandas também.’’

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