Salários estão atrasados há mais de dois meses
Com dois meses de salários atrasados no futebol profissional, o presidente do LEC, Peter Silva, não sabe mais como levantar o dinheiro para quitar as dívidas. Por isso, o desespero em vender Ricardo. Nas categorias de base, o atraso é ainda maior. Funcionários de outros setores também estão sem receber há um bom tempo.
''Só tem comida no refeitório porque o Edson (funcionário do clube há décadas) está comprando do bolso dele'', esbravejou um empregado do clube que pediu para não ter o nome divulgado.
O hotel onde parte do elenco mora também não recebe as diárias e os atletas podem ser despejados. Depois de plantões na porta da sala de Peter Silva, os jogadores conseguiram ontem ser atendidos pelo dirigente, que prometeu pagar pelo menos parte da dívida na segunda-feira.
Alguns relataram que já estão até recebendo a visita de oficiais de justiça, por conta do atraso nas pensões alimentícias. ''Tem jogador que quer ir embora e não tem dinheiro. Estamos esperando uma satisfação. Nem o dia da reapresentação e quais jogadores vão permanecer ele nos falou. É complicado'', protestou o meia Silvinho, enquanto aguardava a reunião dos atletas com o cartola. ''Eu sabia das condições do clube, mas não esperava essas coisas, tanto no campo como fora''.
Lançado no início do ano como sendo o marco da mudança de gestão do clube, o projeto ''Juntos, Nós Podemos'' já foi colocado de lado. No site do clube, as contas deixaram de ser prestadas desde o final de fevereiro, quando o clube acumulou despesas de mais de R$ 130 mil, mas pagou cerca de R$ 60, menos da metade.
A situação não era para ser assim. A receita que entraria no caixa alviceleste referente aos inúmeros parceiros que patrocinam o time ou ajudam indiretamente era para chegar à casa dos R$ 55 mil pelo menos - R$ 40 mil só da Sercomtel -, sem contar as permutas. Desse valor, desconta-se os 15% que a Justiça do Trabalho retém para pagar as dívidas trabalhistas. Além desse valor, o clube recebeu cerca de R$ 120 mil pelos direitos de transmissão de seus jogos, que seriam divididos em três parcelas, mas o pagamento teria sido feito integralmente. Desse valor, um dos patrocinadores, que estampa a marca na camisa, deixou de contribuir com seus R$ 5 mil mensais. Os outros dois pagam de forma irregular.
Para piorar, o diário Lance! trouxe ontem uma matéria em que conta como a CBF resolveu assumir o comando da Série B do Brasileiro. No final do texto, o repórter afirma que um dos motivos seria uma dívida de R$ 3 milhões da Futebol Brasil Associados (FBA) com a empresa Sport Promotion. A dívida é da gestão de Peter Silva na entidade. Ele foi deposto do cargo de presidente da FBA sob acusação de má-gestão financeira. (T.M.)





