A diretoria do São Paulo busca todos os recursos possíveis para sanar os compromissos do clube. Com a alta do dólar, os salários dos jogadores Carlos Miguel e Raí, que estão indexados na moeda norte-americana, praticamente dobraram. Os dirigentes tentam um acordo com os jogadores para contornar o problema. Para conseguir mais dinheiro, o clube está negociando a venda do passe do lateral-esquerdo Serginho ao Milan por US$ 12 milhões, à revelia do patrocinador Cirio, que deveria ser consultado primeiro para saber se a Lazio, clube ligado à multinacional, não quer cobrir a oferta.
Os dirigentes tentaram encobrir a negociação. Serginho foi sexta-feira para a Itália na companhia do diretor de Finanças Paulo Amaral. O lateral iria fazer exames médicos no clube e encaminhar o acerto de sua transferência. Serginho deve ir para o Milan em julho. O técnico Paulo César Carpegiani, ciente das dificuldades que o São Paulo atravessa neste período de crise financeira, não espera que com a saída de um dos seus principais jogadores a diretoria contrate reforços: ‘‘Não vou fazer pressão para pedir novas contratações.’’
Carlos Miguel e Raí não estão muito dispostos a renegociar seus contratos. Carlos Miguel recebe US$ 65 mil por mês. Raí ganha US$ 200 mil, entre luvas, salários e aluguel do passe. ‘‘Não vejo motivos para uma conversa’’, disfarça Carlos Miguel.
Ontem, o clube promoveu um almoço para anunciar oficialmente a Penalty como novo fornecedor de material esportivo. O contrato anterior, com a Adidas, era de R$ 5 milhões. O novo acordo, que tem um ano de duração, é de R$ 2,5 milhões, sendo que R$ 1,5 milhão corresponde ao investimento financeiro da empresa e R$ 1 milhão ao fornecimento de material esportivo.
A própria Penalty passa por problemas financeiros. ‘‘Hoje em dia vendemos apenas 10% do que conseguíamos vender há cinco anos’’, revela o presidente da empresa, Roberto Stéfano.
Os dirigentes são-paulinos não se empolgaram com o novo contrato. ‘‘Financeiramente não foi muita vantagem’’, confirma o diretor de Futebol Pérsio Rainho. ‘‘Valeu mais pelo lado esotérico; foi com a Penalty que ganhamos o bi mundial em 92 e 93.’’ O novo uniforme não difere muito do anterior, que era feito pela Adidas. No modelo 1, duas largas faixas verticais no calção em vermelho e preto fazem a diferença. No uniforme 2, as faixas verticais da camisa são mais largas em relação ao antigo modelo. A nova camisa será usada domingo, na estréia do São Paulo no Campeonato Paulista, contra o Guarani. Os adversários na chave são Palmeiras, Portuguesa, Matonense, Internacional e Rio Branco.
Para a próxima partida, Carpegiani poderá contar com o equatoriano Carabalí e o volante Alexandre. Em breve, terá Fabiano e Raí à disposição. O técnico espera muita disputa por posições. ‘‘O São Paulo vai ser um time competitivo, não me iludo só com o oba-oba.’’

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