O atacante Edu protagonizou ontem uma cena incomum: de manhã, compareceu ao Estádio VGD e acertou o seu desligamento do Londrina alegando estar desmotivado para jogar; à tarde, o jogador já treinava entre os reservas da Portuguesa Londrinense. A confirmação da contratação do atacante foi feita pelo diretor de futebol da Portuguesa, Amarildo Vieira. ‘‘Consultamos o Londrina antes de fazer o acerto com o Edu’’, garante Vieira.
Edu não foi único a deixar o combalido Londrina. O preparador de goleiros Neneca, 52 anos, e o massagista Toninho Carmagnani também pediram demissão. Ambos estavam descontentes com o atraso salarial de 13 dias e temiam não receber o dinheiro. Após receberem o pagamento ontem pela manhã do gerente de futebol, Ciro Antônio Rios, os dois comunicaram a decisão. Edu, Neneca e Toninho, a exemplo de vários outros profissionais, continuam sem receber os salários referentes ao Campeonato Paranaense. ‘‘Nunca vi o Londrina passar por fase como essa’’, disse Neneca, campeão paranaense pelo clube em 1981.
O vice-presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote, vai convidar Neneca para integrar as categorias de base do clube. Ele disse entender a posição do ex-goleiro e do massagista, que ‘‘estão traumatizados com razão’’. Segundo ele, o coordenador-geral, Célio Guergolleto, esgotou seus recursos particulares e espera negociar um jogador para saldar as dívidas com os funcionários.
Ontem, a Justiça do Trabalho deu ganho de causa ao ex-supervisor Lico em uma ação contra o clube no valor de R$ 50 mil. Essa é a primeira ação contra a diretoria encabeçada por Célio Guergoletto. Uma outra ação, do zagueiro Roberto Fonseca, irá a julgamento no dia 11. Somando as gestões passadas, o clube tem contra si 77 ações judiciais.
Em campo, o time segue tendo como técnico o preparador físico Dino Pereira. Ele confirmou ontem as estréias dos meias Flávio Goiano e Marquinhos e do zagueiro Nelson no jogo de amanhã contra o Botafogo, em Ribeirão Preto, pelo Módulo Amarelo.

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