Os primeiros indícios de insatisfação surgiram domingo, logo após o jogo com o Rio Branco, quando o atacante Everaldo criticou numa entrevista a falta de pagamento dos salários de abril, e disse que não tinha ‘‘cabeça para jogar, por causa dos problemas financeiros’’. Ontem à tarde, o clima ficou tenso no Londrina, ameaçando inclusive a realização do treino técnico, que só saiu porque os jogadores atenderam aos apelos do técnico Varlei de Carvalho, do preparador físico Robson Gomes e do supervisor Lico. Sentados no centro do gramado, os profissionais do Tubarão exigiam uma reunião com a direção do clube. Como o presidente não estava na cidade, o diretor de futebol Fábio Scaff prometeu uma conversa com o grupo no final do expediente. Só por volta das 17 horas o treinamento foi iniciado.
Os dirigentes da Sociedade Amigos do Londrina (SAL) acham que houve ‘‘precipitação’’ dos jogadores. Os dirigentes disseram ‘‘considerar’’ um atraso de duas semanas dos salários ‘‘normal no futebol’’. Um deles, Fábio Scaff, criticou Everaldo: ‘‘Se ele não tem cabeça para jogar, que avise o clube, porque quem está aqui é para jogar futebol’’. Mas as críticas mais duras ao jogador vieram mais tarde, com a chegada do diretor Mauro Viotto: ‘‘O Everaldo sempre foi um jogador problemático e nós sabíamos disto. Mas alguns dirigentes, contrariando a minha vontade, resolveram dar-lhe chance. Acho que ele devia é ter vergonha e pedir a conta, ir embora, já que não tem cabeça para jogar futebol’’, disse Viotto.
Mas a tão esperada reunião, que só terminou com o VGD já escuro, acalmou tudo. ‘‘Ouvimos os dirigentes e agora estamos tranquilos’’, disse o capitão Marcelo Souza. Um alívio para o técnico Varlei, que hoje vai poder comandar o primeiro coletivo da semana, visando o jogo de domingo, em Guarapuava. E os salários devem ser pagos até o fim da semana.

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