O Londrina corre o risco de não disputar o Campeonato Paranaense de 1998. Pior: ter desativado o seu departamento de futebol profissional. A ameaça é da Sociedade dos Amigos do Londrina (SAL), que terceirizou o departamento de futebol do clube até o ano 2000, e chegou a um impasse na negociação com os credores do Tubarão. ‘‘Se não houver um acerto com a totalidade dos credores até quarta-feira, a SAL deixa o Londrina’’, disse ontem à Folha o
diretor jurídico da entidade, Mauro Viotto. ‘‘Vamos desativar o futebol profissional e tocar apenas as categorias amadoras do clube’’, completou, ressaltando que a SAL fica inviabilizada de continuar à frente do Londrina se a renda dos jogos continuarem a serem penhoradas pela justiça para pagamento de ações trabalhistas.
Mauro Viotto credita a possível extinção do futebol profissional do Londrina a alguns credores. ‘‘Os casos mais difíceis são o do Márcio Alcântara (ex-jogador e técnico) e do Adirley Pio Nonino (ex-funcionário do clube) que não querem um acerto’’, apontou. De acordo com o Viotto, a dívida do clube com os ex-funcionários chegaria perto dos R$ 150 mil, incluindo aí uma ação do ex-técnico do clube, Valmir Louruz, cujo advogado já admite um acordo. ‘‘Como vamos pagar jogadores e comissão técnica no Campeonato Paranaense se continuarmos sujeitos a ter as rendas (jogos e eventos) penhoradas’’, questionou.
Apesar de não saber quantos são os credores e o qual valor global das dívidas do Londrina, Mauro Viotto disse que 95% dos credores já aderiram ao chamado ‘‘grande acordo’’ proposto pela SAL em conjunto com a Sociedade dos Amigos da Sede Campestre (Sasc). Segundo ele, o processo eleitoral no clube terá sequência normal. A SAL e Sasc, que formaram chapa única para a eleição presidencial do dia 7 de dezembro, vão compor os cargos diretivos do Londrina e cuidar do parque social e das categorias de base do clube. Segundo Viotto, não haverá implicações junto à Federação Paranaense de Futebol caso o Tubarão desista do Estadual e desative o profissionalismo.
‘‘A SAL não quer sair do Londrina. Tanto é que participou do arbitral do Campeonato Paranaense. Agora, esse pessoal que não quer fazer um acerto com o clube que assuma o Londrina’’, sugeriu.
A reunião do último sábado que discutiria quem seria indicado à presidência do Londrina na eleição do dia 7, a renovação dos contratos de patrocínio com a Bombril (nos uniformes) e Schincariol (exclusividade na venda de bebidas no Estádio do Café) e a cota de participação do clube nas transmissões de TV dos jogos do Campeonato Paranaense acabou tratando apenas do acordo SAL-credores. O advogado Hélio Camargo, representante da comissão dos credores, terá até quarta-feira para tentar convencer os demais credores a aderirem ao pacto.

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