Saída tem que ser pela porta da frente
Ainda que não exista uma fórmula definitiva para ganhar a simpatia dos torcedores, todos os envolvidos com o futebol, de torcidas a atletas, são unânimes em um ponto: se algum dia o jogador tiver de sair do clube, que saia pela porta da frente, de forma suave e, claro, de maneira alguma aceite uma proposta do arqui-rival. ''Eu saí numa boa, por isso acho que nunca foi esquecido pelos são-paulinos'', disse o meia Raí.
O atacante Evair teve duas passagens vitoriosas pelo Palmeiras (1991 a 1994 e 1999) e nunca mais foi esquecido pela torcida. Sua identificação com o time foi tão grande que chegou a deixar de lado boas propostas simplesmente porque os clubes interessados não eram vistos com bons olhos pelos palmeirenses. ''Quando fui para o São Paulo (2000) já senti essa dificuldade. Insinuavam que eu torcia para o Palmeiras e que não iria me esforçar. Foi muito difícil'', diz.
O episódio que mais sensibilizou Evair ocorreu numa tarde de 1998 em que disputava uma partida do Campeonato Paulista pela Portuguesa, no Canindé. ''Fiquei sabendo depois do jogo que os torcedores que estavam no Palestra Itália vibraram com o gol que eu fiz e comemoraram como se fosse um gol do Palmeiras'', diz o atacante de 37 anos, que foi reintegrado ao Goiás. ''Eu sei que tudo o que eu poderia ter feito pelo Palmeiras, eu fiz, acho que é por isso que existe essa relação com a torcida.''
Quando o caso de amor é levado a sério, a torcida não esquece. Os vascaínos, por exemplo, nunca deixarão de recordar de seu maior astro. Roberto Dinamite, que foi para o Vasco o que Pelé foi para o Santos ou Zico para o Flamengo, inicou sua carreira no clube carioca em 1971. Nove anos depois, o Flamengo tentou contratá-lo, mas o jogador ignorou a proposta. ''Outros fatores contribuíram para não haver negócio, mas ir jogar no principal rival vascaíno não estava mesmo nos meus planos'', afirma. (A.E.)





