Era para ser apenas uma negociação de renovação contratual como outra qualquer. Porém, o prolongamento do vínculo do volante Wilson com o Londrina fez despontar uma crise interna no clube. O motivo, o agenciamento de atletas por parte de diretores.
Wilson teria acertado verbalmente um novo contrato - o atual termina agora no fim do mês - com o vice-presidente de futebol do Tubarão, Adir Leme da Silva. No entanto, no momento da assinatura, o jogador teria mudado de idéia influenciado por seus procuradores.
''Acertamos um salário além do limite do clube e um ano de contrato a pedido do próprio jogador. A pedido dele, liguei para um dos sócios da empresa que cuida da carreira dele e a pessoa aceitou as condições. Depois, o Wilson voltou chorando dizendo que a empresa havia exigido os R$ 7 mil pagos a ele (para que assinasse a procuração) de volta. No dia seguinte, voltou e disse que a empresa queria que ele assinasse somente para o Estadual. Então, o liberei para procurar outro clube porque não estava com a cabeça aqui'', contou Adir, que revelou desconhecer a existência de procuradores na carreira do atleta antes da renovação.
No final da Copa Paraná, Wilson assinou contrato com a empresa Royal Players, que tem no seu quadro societário dirigentes do próprio Londrina, como os empresários Gilberto Ponce e Persius Sampaio, além do ortopedista Alexandre Queiroz, médico do clube, e o ex-volante do Londrina, Edmilson, atualmente no Japão.
O confronto ético do caso desagradou o homem-forte do Tubarão. ''Quem for ajudar o Londrina não pode mexer com jogadores. De antemão já digo que não aceito. Sou amigo pessoal do Juan Figger, do Vanderlei Luxemburgo e do Wagner Ribeiro, que hoje são os grandes nomes das negociações de jogadores, e, se eu quisesse ter uma empresa, não estaria no Londrina. Quem trabalha com jogador não pode ser nem conselheiro de clube, quanto mais diretor'', disse Adir, em tom irritado.
Em entrevista à rádio Paiquerê AM, Persius Sampaio afirmou que a empresa tem outros jogadores sob contrato e que o próprio presidente do Londrina, Peter Silva, pediu para que a empresa cuidasse da carreira de alguns atletas do clube. ''O Peter pediu para pegarmos o máximo de procurações possíveis no elenco'', afirmou o empresário. Peter disse que só comentaria hoje as declarações.
Segundo Persius, Wilson foi assediado pelo ex-direitor do Londrina, René Salve, que é amigo pessoal de Adir, para se transferir para um clube paulista com o salário de R$ 5 mil mensais. ''Ele iria ganhar R$ 3 mil no Londrina. Tentamos segurar ele aqui, mas se o clube não pode pagar, o que eu posso fazer? Ele (Wilson) quis ganhar R$ 2 mil a mais. Nós ainda o convencemos a ficar pelo menos no Paranaense, mas ele não concordou ganhar R$ 2 mil a menos o ano inteiro'', afirmou o empresário.
O imbróglio causou a mudança na nomeação da nova diretoria executiva. Ponce, que seria o vice-presidente geral foi substituído por Genivaldo dos Santos. A versão oficial é que ele teria pedido afastamento devido ao vínculo com a Royal Players, evitando um conflito ético. Entretanto, há boatos que dão conta de que ele teria tido um desentendimento com o presidente Peter Silva, que continua no cargo até o fim de 2009. O advogado Fábio Theóphilo também segue à frente do Conselho Deliberativo.

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