Bergich Gladbach - A hora crucial para a seleção brasileira chegou. O técnico Carlos Alberto Parreira é o primeiro a saber que uma derrota diante de Gana hoje, às 12 horas (de Brasília), em Dortmund, acaba com o sonho do sexto título mundial já nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Ao analisar o rival de enaltecer as suas qualidades, o treinador deixou claro que não vai bastar apenas toque de bola, boa marcação e passagem rápida da defesa para o ataque. O time terá que mostrar mais.
''Sem determinação e vontade eles vão atropelar. É um jogo perigoso e cabe a seleção brasileira se impor. Mais do que nunca será preciso muita doação e vontade'', afirmou Parreira.
Bem ao seu estilo, o técnico assumiu a responsabilidade por tudo o que está fazendo e mesmo lamentando a ausência de Robinho fez uma profissão de fé em que o time vai dar mais um passo à frente se jogar de maneira coletiva sem abusar das jogadas individuais. ''Quem ganha a Copa é a equipe que joga de forma coletiva. É importante termos o brilho individual mas em função do conjunto. É ele que leva um time adiante'', enfatizou Carlos Alberto Parreira.
O treinador viu domingo os vídeos da seleção de Gana e ontem à noite exibiu a montagem que fez de 40 minutos com a sua comissão técnica passando informações detalhadas aos jogadores.
Na avaliação do técnico, Gana é uma equipe que atua na base da força e velocidade com um bom toque de bola. Um adversário diferente dos que o Brasil enfrentou até agora. Perigoso pela força e velocidade que imprime as jogadas. A melhor maneira de enfrentá-los é fazer um jogo cadenciado impondo o toque de bola brasileiro e sobretudo muita eficiência na hora das conclusões das jogadas. Neste momento vai ser necessário muita precisão. Parreira inclusive, vem pedindo ao time que arrisque os chutes de fora da área como mais uma arma ofensiva da seleção.
O fato de Gana ter sido a equipe mais violenta da primeira fase enquanto o Brasil foi a que menos faltas cometeu fez com que Parreira não só cobrasse rigor da arbitragem como citasse o jogo entre Portugal de Felipão e Holanda, como uma partida muito violenta.
''Eu espero que não aconteça no jogo entre Brasil x Gana o que aconteceu na partida entre Portugal e Holanda que teve muitos cartões, expulsões e apenas cerca de 30 minutos de bola em jogo. Ainda não recebi o relatório oficial da Fifa mas acredito que tenha sido por aí. Não quero que isto aconteça no jogo do Brasil com Gana. Nosso time é técnico e espero rigor da arbitragem como foi o prometido pela Fifa'', disse o treinador brasileiro.
Parreira não gostou nem um pouco de uma reportagem que foi feita uma leitura labial sua no jogo entre Brasil x Japão. Ele disse que isto já tinha acontecido em 1994 na Copa dos Estados Unidos e considerou uma invasão de privacidade.
''Em 1994 já tinha feito este tipo de coisa e se enganaram. Agora voltaram a fazer e novamente errado. Para mim, isto é uma invasão de privacidade e ainda por cima com uma interpretação errada dos fatos'', disse.
Quando o assunto foi espetáculo voltou a bater na mesma tecla. ''Espetáculo para mim é quando o time ganha. Se puder ganhar e jogar bem, melhor ainda mas não é show. Show para mim é outra coisa. O importante nesta fase das oitavas e das quartas-de-final é o time vencer. Só vencendo vamos ter espetáculo e alegria. Para isto é preciso seriedade, concentração, vontade, doação e coração em campo além de se jogar futebol'', afirmou o treinador, confiante que o time suba o quarto degrau na escala de sete para se ganhar uma Copa.
O técnico Ratomir Dujkovic terá os retornos de Sullei Muntari e de Gyan Asamoah, mas não contará com Michael Essien, estrela da companhia ao lado do capitão Stephen Appiah. Jogador versátil, numa mistura de talento, força e velocidade, Essien recebeu o seu segundo cartão amarelo logo aos quatro minutos do primeiro tempo, numa entrada por baixo em Reyna, e terá de cumprir suspensão automática contra o Brasil. Sem ele, Gana perde em vários aspectos: combatividade no meio-campo, boa distribuição de jogo e chegada constante no ataque.


BRASIL

Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto (Juninho Pernambucano), Kaká e Ronaldinho; Ronaldo e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira

GANA

Kingston; Paintsil, Mohammed, Mensah e Shilla Illiasu; Addo, Boateng, Appiah e Muntari; Amoah (Pimpong) e Gyan. Técnico: Ratomir Dujkovic

Árbitro: Lubos Michel (ESL)
Estádio: Westfalenstadion, em Dortmund
Horário: 12 horas

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