Quando a Seleção Brasileira entrar em campo hoje, já conhecerá seu adversário nas oitavas-de-final, o segundo colocado do Grupo B, formado por Itália, Chile, Áustria e Camarões. Como as duas últimas partidas do Grupo B acontecem às 11 horas, cinco horas antes do jogo do Brasil, Zagallo e seus comandados terão conhecimento de quem enfrentarão no jogo do próximo sábado, em Paris.
Mas, independente de quem for o adversário do Brasil, a atuação hoje contra a Noruega é considerada vital para que o time ganhe ritmo para as oitavas-de-final. ‘‘A cada jogo o time apresenta uma pequena evolução’’, disse o coordenador técnico Zico. ‘‘Precisamos continuar trilhando esse caminho, precisamos continuar crescendo.’’
Indagado, em seguida, se a Seleção já estará 100% sábado, nas oitavas-de-final, Zico disse que não. ‘‘Só estaremos 100% em 12 de julho’’, avisou, referindo-se à data da final do Mundial. O goleiro Taffarel também acha que, apesar de o jogo de hoje ser um ‘‘treino de luxo’’ para o Brasil, como definiu o técnico Zagallo, uma derrota teria consequências negativas entre o grupo.
‘‘Se perdermos, nós sabemos o que vai se passar. Vocês vão encher páginas e páginas falando de crise, e a moral do time vai cair. Mesmo que o jogo não esteja valendo nada para a gente, num torneio como é o Mundial, uma derrota é sempre ruim’’, disse. ‘‘Já conversamos sobre isso e temos que entrar fortes no mata-mata’’, disse Taffarel. ‘‘Nada melhor do que começar embalados com nove pontos.’’
O mata-mata a que se referiu o goleiro começa sábado, com as oitavas-de-final. Daí para a frente, a seleção que perder estará eliminada do Mundial.
Segundo o lateral Cafu, ‘‘depois que vencemos Marrocos, as críticas passaram e o ambiente ficou ainda melhor. Se ganharmos também da Noruega, vamos chegar tinindo na próxima fase.’’ Cafu tem outro motivo para vencer: ‘‘É a hora de mostrarmos para eles o nosso valor. Não pelos 4 a 2 do ano passado (derrota do Brasil em amistoso disputado em Oslo), mas pelas críticas que fizeram depois’’.
Gonçalves Para a maioria dos jogadores da Seleção, a partida de hoje pode até ter um gostinho de amistoso, em razão da classificação e do primeiro lugar do Grupo A já garantidos. Menos para o zagueiro Gonçalves. ‘‘Esse é o jogo mais importante da minha vida. É assim que devo encarar’’, disse o jogador, que substitui o titular Aldair, pendurado com um cartão amarelo.
Com 1,80m, Gonçalves sabe que terá trabalho contra o ataque aéreo da Noruega. E já pede ajuda aos companheiros. ‘‘Não adianta ficar só pulando com eles. É preciso que todos se empenhem para não facilitar os cruzamentos na área.’’ Na hora do corpo-a-corpo, o zagueiro tem um segredo: ‘‘Grudar no adversário e não deixar ele ter facilidade para alcançar a bola. Se não puder cortar o cruzamento, pelo menos não posso deixá-lo cabecear com tranquilidade.’’
A missão de ganhar a batalha aérea ficará com Júnior Baiano, de 1,93m, a mesma altura do atacante Andre Flo, o mais perigoso cabeceador norueguês. ‘‘Vou grudar nele em todas as jogadas de bola parada’’, avisa Júnior Baiano, que foi o titular escolhido para o ‘‘sacrifício’’.

mockup