O estilo sereno e tranquilo do técnico Tadeu está conquistando os jogadores do Londrina. Mineiro e de fala mansa, o novo treinador Alviceleste é diametralmente oposto ao estilo explosivo do ex-técnico, o baiano Freitas Nascimento. Quando irritado, Freitas não vacilava em gritar com os jogadores. Ouvidos pela Folha, alguns jogadores foram unânimes em afirmar que a troca de comando técnico trouxe nova motivação ao elenco.
‘‘O Tadeu conversa, orienta e é mais calmo. Para mim isso facilita. Se você erra o passe e a pessoa grita, dificulta ainda mais o acerto’’, atesta o meia-atacante Paulo Roberto, 21 anos, que esperava ter tido mais chances com o ex-técnico Freitas. ‘‘Com o Tadeu, acredito que se eu entrar no time não saio mais’’, afirma.
Há quase um ano no Londrina, o zagueiro Fernando, 20, comemora a possibilidade de finalmente iniciar um jogo oficial como titular. Aprovado em um teste antes da Série B do Brasileiro de 2001, o jogador só teve uma chance no time: entrou no segundo tempo da goleada de 7 a 0 sobre a Desportiva, no Estádio do Café, no dia 8 de novembro.
Apesar da ‘‘geladeira’’, Fernando não reclama. ‘‘Só tenho de agradecer ao Freitas pelo que fez por mim. Acho que ele esperou o momento certo de o time estar bem para me lançar. Não tenho do que me queixar’’, diz o zagueiro que deve ser um dos titulares no clássico de domingo contra do Grêmio Maringá, no Estádio do Café. Fernando também se anima com a mudança de técnico. ‘‘O Tadeu é mais paciente, dá mais tranquilidade para trabalhar e vai haver uma melhora.’’
Titular com Freitas Nascimento, o lateral-esquerdo Carlos Eduardo, 23, vê nova dose de motivação com Tadeu Martins. ‘‘Ele é mais calmo e tranquilo e a mudança motiva todo mundo a mostrar seu futebol’’, entende o lateral, que não se incomodava com os gritos do ex-técnico. ‘‘Eu não me incomodo com isso, mas pode afetar um ou outro jogador.’’
O meia Germano, 20, usa a diplomacia para falar da diferença entre os dois treinadores. ‘‘Cada um tem sua personalidade. O Freitas gritava mais mas era a maneira dele trabalhar. São dois profissionais que vieram ajudar o Londrina.’’ O jogador também aposta que a troca de treinador está motivando todo o elenco. ‘‘Quem estava no banco vai ter melhor oportunidade de mostrar seu trabalho. Espero que possa ter a minha chance também.’’
O fato de o Londrina ter chances reduzidas de chegar o título, entendem os jogadores, não diminui a responsabilidade. ‘‘Se não ficarmos entre os quatro primeiros colocados vai ser tão ruim para o Londrina quanto para nós. Está em jogo o nosso futuro no clube’’, diz Carlos Eduardo.
Mas os jogadores que não se enganem com o estilo moderado de Tadeu. ‘‘Não enxergo tudo, mas fui jogador e sei quando o atleta está fingindo. O atleta vai ter que me enganar muito bem’’, alertou o técnico na sua chegada.

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