A Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) está voltando ao cenário de ponta do beisebol nacional. Há cinco anos a equipe não tinha tantos atletas convocados para as seleções brasileiras como agora. Na última lista distribuída este mês pelos treinadores das equipes, a Acel teve nove convocados (confira a relação no quadro), distribuídos nas categorias Pré-Infantil, Infantil, Pré-Júnior e Júnior.
''Londrina sempre foi celeiro de bons atletas e fazia tempo que não tínhamos tantos na seleção. Isso representa a força do nosso beisebol, que continua revelando talentos em função do trabalho de base que fazemos'', disse Pedro Bando, coordenador e técnico do Projeto Futuro no beisebol, realizado em parceria com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL).
Dois dos nove selecionados são atletas oriundos do pólo de beisebol da Escola Municipal San Izidro, situada próxima à Acel, na Zona Leste de Londrina. Os garotos são da categoria Júnior e conheceram o beisebol nas aulas de Educação Física dadas na escola por Pedro Bando.
''Era uma coisa bem diferente de tudo o que a gente tinha visto, embora lembra um pouco o 'bets' de rua. O professor levava bolinhas de camurça e tacos leves de plástico para a gente não se machucar (as bolas oficiais são pesadas e os tacos de madeira ou de alumínio). Como era um esporte diferente, provocava a curiosidade na molecada'', conta Roberto Mendes, 15 anos, que conheceu o beisebol aos 8 anos.
Roberto foi convidado depois a treinar diariamente na Acel e no começo seus pais e os amigos da sua rua ''achavam que aquilo não ia dar em nada''. ''Diziam que eu ia desistir do beisebol em uma semana, porque antes só tinha jogado futebol. Mas provei para eles que gostava, continuei treinando e hoje estou na seleção'', comemorou Roberto, que foi convocado pela primeira vez. De 40 alunos da sua turma de escola, uns ''cinco ou seis'' aceitaram treinar na Acel.
Outro que saiu da Escola San Izidro e hoje está na seleção Júnior é Fabiano Paulino, 16 anos, que conheceu o esporte aos 10. Assim como Roberto, ele confirma que o fato de ser ''diferente'' é o que atraiu os garotos da sua turma para o beisebol. ''Meus pais sempre me incentivaram e quero ir longe, quem sabe chegar no nível do Gilmar (Pereira) ou do Wellison (Carlos Viana), que também saíram daqui'', disse Fabiano, referindo-se a dois garotos do Projeto Futuro que hoje são o orgulho da Acel nos campos pelo mundo.
Gilmar Pereira, 19 anos, se profissionalizou e hoje defende a equipe do Philadelphia Phillies (EUA). Já Wellison Viana, 18, joga no beisebol universitário japonês - integra a equipe da Universidade Hakuho Daigaku, de Oyama.
Mas não são apenas garotos do Projeto Futuro que orgulham a Acel. Entre os convocados, estão muitos joagadores de ''olhos puxados'', como ainda são a maioria dos atletas da Acel. Um deles é Caio Yuhara, 14 anos, que está ansioso por jogar sua primeira competição internacional. ''Lá vão ser só atletas de alto nível'', prevê.

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