Sabotagem ou descuido são "falhas comuns"
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Ed Carlos Rocha e Agência Estado 
O presidente da Sociedade de Medicina Esportiva do Paraná, o médico Marcelo Leitão, que já foi membro da Comissão de Controle de Dopagem da Confederação Brasileira de Futebol, deu ontem uma declaração que pode confortar os jogadores do Paraná, Luciano Viana e Gil Baiano, envolvidos no suposto doping.
Segundo Leitão, a história dos casos de doping mostram que muitas vezes o jogador omite a informação de que tomou as substâncias proibidas, mas também há muitos casos em que acontecem sabotagem e até descuido na hora de colher o material, ou seja, a urina.
De acordo com o presidente da Sociedade de Medicina Esportiva do Paraná, a sabotagem ou a falha na coleta, são difíceis de acontecer, mas há uma chance em relação a isso. Já tivemos casos em que foi constatado suco de laranja na urina, o que prova que pode acontecer de outras substâncias serem juntadas, mesmo que por descuido, ao material coletado.
Leitão eximiu de qualquer responsabilidade o médico do Paraná. Para ele, é impossível os médicos dos clubes errarem na prescrição do medicamento. Eles têm uma relação de todo medicamento que não pode ser passado para os jogadores por causa de substâncias proibidas. Mesmo quando o médico esquece alguma delas, é só consultar a lista.
Leitão também disse que os métodos de exames hoje estão tão sofisticados que é praticamente zero a chance de erro. Os exames conseguem detectar se o jogador ingeriu alguma substância proibida mesmo que tenha sido três meses antes.
Uma arma antiga das mulheres para acabar com os quilinhos a mais e dos estudantes para ficar horas e mais horas acordados. A fenproporex, substância estimulante e presente em emagrecedores e moderadores de apetite, entrou na vida dos jogadores de futebol há muito tempo, na década de 70, como lembra o médico Osmar de Oliveira, um especialista em doping.
Foram muitos os casos de doping na história por causa do uso desta substância, conta o médico. Um deles foi o do atacante César Maluco, ex-Palmeiras e Portuguesa, no início dos anos 70. Segundo Oliveira, este tipo de estimulante, apesar de antigo, ainda é muito usado, ao lado de outras drogas, como dilatadores nasais, a cocaína (caso do jogador Dinei quando atuava no Coritiba, em 1996) e da efedrina (caso do então corintiano Fábio Augusto, no ano passado).
Os exames feitos com a urina dos jogadores Gil Baiano e Luciano Viana, do Paraná, apontaram justamente esta substância e seus metabólitos phidroxi-fenproporex e anfetamina. Osmar de Oliveira lembra que a substância é proibida desde a primeira deliberação antidoping do Comitê Olímpico Internacional, em 1968. A razão da proibição é o fato da fenfroporex ser um estimulante do sistema nervoso central.
Os atletas Gil Baiano e Luciano explicaram ontem que consumiram apenas uma bebiba isotônica e vitaminas antes da partida contra o Bragantino, assim como todo o elenco. Este tipo de substância não é encontrada neste tipo de bebida, revela Oliveira. Segundo ele, a distribuição de isotônicos e comprimidos de aminoácidos é uma prática antiga do médico do Paraná, Jonatan Zaze - antes, durante e depois dos jogos. Nunca, porém, causou nenhum tipo de problema. Uma hipótese é a de alguém inescrupuloso ter tido contato com estas bebidas sem o conhecimento do médico, arrisca Oliveira.


