Belo Horizonte, 16 (AE) - O tenista mineiro André Sá, de 21 anos, 171º do ranking da ATP e quarto colocado entre os brasileiros da lista, pretende estar, até o final deste ano, entre os 100 melhores jogadores do mundo. Para atingir este objetivo, André conta, desde o final de 1997, com o auxílio do Centro de Excelência Esportiva da Universidade Federal de Minas Gerais, dirigido pelo psicólogo alemão Dietmar Samulski. Segundo o tenista, cuja melhor posição no ranking foi o 110º lugar, além de desenvolver a parte técnica e física, os trabalhos no Centro e a assessoria permanente de Samulski, no aspecto psicológico, têm dado resultados cada vez melhores.
"Desde que começamos essa parceria, aprimorei bastante meu comportamento durante os jogos e tenho me sentido muito mais tranquilo em relação aos meus objetivos", diz o atleta. "É ótimo saber que, extra quadra, há o apoio de todos esses profissionais", completa o tenista, que disputou, no último fim de semana, o torneio internacional de Salinas, no Equador, no qual chegou à semifinal de duplas, junto com Jaime Oncins. O psicólogo Samulski explica que o programa elaborado para André é apenas um dos muitos que o Centro de Excelência da UFMG desenvolve, todos destinados não apenas a melhorar desempenhos, mas também a reduzir ansiedades e o estresse de cada atividade.
"Nos nossos laboratórios de cardiologia, fisiologia, biomecânica, fisioterapia e psicologia, atendemos a cerca de 500 atletas por ano, das mais diversas modalidades", afirma o professor, que de 1993 a 1994 atuou junto à seleção brasileira feminina de vôlei e, em 1996, assessorou o Cruzeiro, contribuindo para que o time conquistasse a Copa do Brasil.
No caso do tenista, segundo o alemão, a estratégia tem sido a de ensinar a André técnicas de concentração, auto-controle e metalização específicas para o esporte.
"Um bom exemplo é mentalização do saque, com a qual ele melhora bastante seu aproveitamento", diz. "É importante dizer que, antes de definir essas técnicas, fizemos um diagnóstico aprofundado do que seriam os pontos fortes e fracos do atleta, conversando muito com ele e com o técnico Fernando Roeze e assistindo aos seus jogos", relata o psicólogo. "Também trabalhamos com testes subjetivos e objetivos, utilizando sistemas computadorizados para analisar aspectos como capacidade psíquica, percepção, tempo de reação, e fadiga mental", completa.
Raquete - Além do auxílio do Centro de Referência da UFMG, André Sá também aposta na utilização da tecnologia espacial para melhorar, cada vez mais, seu desempenho nas quadras. Desde o início da temporada, o atleta mineiro - que nos próximos dias embarca para Casablanca, no Marrocos, onde disputa mais um torneio internacional - adotou uma raquete especial, conhecida como Wilson 5.0. feita com fibras de Hyper Carbon e grafite. O material é o mesmo utilizado na fabricação de satélites, estações espaciais e aeronaves. Por enquanto, André é o único brasileiro a usar a raquete.

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