RUTH BOLOGNESE
Lavada geral
Passou vergonha o chefe da Casa Civil do governo Requião, Rafael Iatauro, na eleição para presidente da Federação Paranaense de Futebol. Recebeu 15 votos contra 64 do atual presidente, Hélio Curi.
Bem feito! Quem manda se meter na pequena área. Se tivesse cuidado bem da função que exerce (e é muito bem pago pra isso, com dinheiro público), hoje não estaria nesta situação.
Quem ganhou
No primeiro embate do ano eleitoral,entre tucanos e peemedebistas, os tucanos ganharam de lavada na FPF.
Se a moda pega, adios hermanos em outubro.
Quem perdeu
Saiu perdendo o próprio governador Requião, primeiro a lançar o nome de Iatauro para a FPF, os Doáticos Santos da Vida e o pessoal do governo que distribuiu umas verbinhas para os delegados, não é mesmo Ricardo Gomyde?
Um ministro feliz
Sexta-feira, véspera de feriadão, e a moça gentil de Brasília liga para dizer que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, está saindo para Curitiba e convida para almoçar. Do lado de cá da linha, cabelo amarrado, a unha por fazer, mala pronta pra praia, mas jornalista não briga com a notícia e de amigo não se pode deixar de matar as saudades.
Só deu tempo de fazer penteado e a unha foi daquele jeito mesmo. Meia hora de espera no Bologna, o mais tradicional restaurante da Capital, e um suco de tomate depois, e eis que o Reinhold chega, sozinho, naquele fatídico terno azul escuro que é o uniforme brasiliense, cabelos mais brancos do que no último encontro, antes ainda do Ministério, e com apenas o celular na mão.
Uma vez Reinhold, sempre Reinhold: nem termina o abraço e ele se afasta sem pedir licença, sem dizer nada, em direção ao banheiro. Devia estar apurado, coitado.
Macarrão e informação
Em torno de uma salada italiana, com queijo parmesão e cogumelos em finíssimas tiras e um macarrão ao molho funghi que já foi melhor em tempos idos, o ministro paranaense fala de Brasília com a veemência daqueles que se sentem no lugar certo e na hora certa. Com o presidente Lula tem viajado com frequência e, como todos os brasileiros acima de 10 anos, considera o pernambucano um homem de sorte, além de gênio político intuitivo.
A ministra Dilma Rousseff, a mulher mais poderosa do governo, e tida como de trato difícil, tinhosa, sem jogo de cintura nenhum, Reinhold diz que tira de letra, com conhecimento de causa: ''Ora, para quem conseguiu, como eu, a se dar bem com o Requião, a Dilma não é páreo nenhum''. Dois paranaenses o ministro da Agricultura tem em grande conta em Brasília, o colega de ministério, Paulo Bernardo, do PT, e o senador Osmar Dias, do PDT.
O primeiro, pela eficiência com que conduz sua área de trabalho e pelo pronto atendimento às reivindicações: ôacabou de me liberar R$650 milhões para pesquisas na área agrícola. E o Osmar Dias, pelo apoio constante nos embates no Senado: ''Foi o primeiro político do País a me apoiar durante a crise da carne''.
Satisfeito com a fase extraordinária porque passa o agronegócio brasileiro, num período de calmaria do setor que representa, o ministro Stephanes diz que tem recebido paranaenses de alto coturno em Brasília que o querem como candidato ao governo do Estado na sucessão de Roberto Requião. Não é o sonho mais precioso nestas alturas da vida, e principalmente para quem gosta da capital federal e por lá gostaria de permanecer, no mesmo bat local em que está agora. Mas, avisou aos animadores da torcida que, se selarem um bom cavalo, aí incluídos apoios e coligações partidárias, não há de renegar a montaria. Da parte que lhe cabe, tem viajado pelo Paraná inteiro, onde, diz, colhe os frutos de ser ministro do maior produtor agrícola da Federação. É recebido com festas e banda de música aonde quer que vá.
O almoço está no fim e o garçom solícito do Bologna presenteia o ministro com um prato pintado a mão, lembrança do restaurante para os mais ilustres. É hora de cada um seguir seu rumo. Ele, para Ponta Grossa, para mais uma exposição agropecuária. Eu, para a labuta de duas colunas, a de sábado e de domingo. Acena com alegria e não esconde que é um ministro feliz.





