Lausanne - Em uma decisão sem precedentes, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que todos os atletas russos e quenianos, em todas as 28 modalidades, terão de provar que estão limpos do doping e passar por novos testes para que sejam aceitos para competir nos Jogos do Rio de Janeiro, em agosto. A entidade manteve a suspensão sobre os russos no atletismo. Mas, atendendo um apelo do governo de Vladimir Putin, o COI barrou a decisão de impedir que atletas possam competir sob a bandeira russa.
O Kremlin havia alertado, momentos antes do anúncio, que poderia tomar uma decisão "sem precedentes", abrindo temores de um boicote no Rio. Ontem, os russos anunciaram que vão levar o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), abrindo uma disputa legal que poderá durar até a véspera do evento no Brasil.
O anúncio foi feito em Lausanne, na Suíça, depois de uma reunião de cúpula do COI. O objetivo era o de mandar um recado forte a todos os países de que casos como o de Moscou, onde há forte suspeita da existência de apoio estatal no esquema de uso de substâncias proibidas por atletas, não serão tolerados.
"A conclusão é de que as alegações contra a Rússia e a situação no Quênia colocam sérias duvidas sobre a presunção de inocência dos atletas. Portanto, cada atleta que venha desse país terá de passar por exames independentes e fora de locais onde seus laboratórios tenham sido afetados", disse o alemão Thomas Bach, presidente do COI.
Na última sexta-feira, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) havia anunciado a proibição da participação na Olimpíada de todo o atletismo russo diante da acusação de que o doping na modalidade havia sido generalizado e que as autoridades de Moscou não adotaram medidas suficientes para garantir o controle do uso de produtos proibidos.
Vladimir Putin, presidente russo, deixou claro que não aceitava a "punição coletiva" e alertou que iria pressionar o COI a rever a situação. Para ele, uma "solução" teria de ser encontrada e recusou a ideia de que os atletas "limpos" só pudessem competir sob um bandeira neutra e não pela Rússia. O COI, assim, decidiu por manter a suspensão, mas atendeu a algumas das exigências dos russos. "Quem provar que está limpo poderá atuar com a bandeira russa", disse Bach.

SALTO COM VARA
Ontem, Yelena Isinbayeva mostrou que se ficar mesmo fora dos Jogos Olímpicos do Rio, em agosto, será uma ausência bastante sentida no âmbito esportivo. Após ficar quase três anos sem competir, a bicampeã olímpica do salto com vara venceu o Campeonato Russo com a impressionante marca de 4,90 metros. Ela ainda tentou bater o seu próprio recorde mundial, saltando 5,07 metros, mas falhou nas três tentativas.

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