A nata do tênis infanto-juvenil mundial está reunida em Londrina. Molecada que daqui a pouco tempo dividirá as quadras com os melhores do mundo. A 13 edição do Arthrom Tennis Cup reúne 350 tenistas de 12 a 18 anos de 16 países. Em meio ao festival de belos voleios as meninas dão um charme especial ao torneio. Seja na raquetada ou na beleza, não dá para deixar de lado as russas.
Elas dominam o esporte nos dois requisitos. Dinara Safina, Svetlana Kuznetsova, Elena Dementieva, Vera Zvonareva, Maria Sharapova e Nadia Petrova. São seis tenistas do país entre as 20 primeiras do ranking da ATP. Tem ainda a musa Ana Kournikova. Com tantas inspirações assim, é impossível não imaginar que o sonho de uma garota russa que gosta de esportes é se tornar tenista.
No Arthrom Tennis Cup duas delas chamam a atenção. As irmãs Victoria e Ksenia Laskutova, respectivamente de 15 e 13 anos, já desenham um caminho semelhante ao das compatriotas famosas.
As duas estão passando uma temporada de treinamentos no Brasil. Elas são atletas da academia Van Der Meer, localizada na Carolina do Sul, nos Estados Unidos e são treinadas por um brasileiro. Ex-sparring de Gustavo Kuerten, o catarinense Juliano Cirimbelli, 24 anos, parou de jogar há dois. É formado em Contabilidade e Administração por uma universidade americana e é o responsável por preparar as duas russas para trilharem o caminho das compatriotas.
Ele trouxe elas duas e uma outra aluna para um período de treinamentos no Instituto do Tênis, em Itajaí. ''O tênis no Brasil é muito bom. Precisamos melhorar em relação à Europa, só que aqui, o povo gosto de trabalhar, os treinamentos são mais puxados. Aqui é mais na batalha, na garra, na correria e lá (na Europa) a técnica é muito boa, eles procuram a perfeição. Trouxe elas para cá para intensificar esse outro lado'', afirmou Cirimbelli.
Acostumadas com o gelo da Rússia, as irmãs Laskutova ainda não sentiram os efeitos do calor do Norte do Paraná. Também, ainda não jogaram nas quadras descobertas. Porém, nos treinamentos, o rendimento caiu um pouco. ''Lá nos EUA treinamos quatro horas e aqui, com duas horas, elas estão bem cansadas'', contou.
As irmãs já elegeram a fonte de inspiração: Dinara Safina, número 2 na ATP e irmã de Marat Safin, que está prestes a se aposentar, mas já foi o número 1 do mundo. ''Gosto da Safina. Nesta ano ela disputou a final de Roland Garros. Também gosto do estilo sul-americano dela de jogar, com bolas retas, bom para o saibro'', disse Victoria. ''Ela é uma das primeiras do ranking e é muito constante. Era meio 'locona', mas agora está mais séria'', completou Ksenia, que chegou às quartas de final do último Orange Ball, o mais importante torneio da categoria no mundo.
Na opinião delas, a rivalidade entre as próprias russas é que faz com que o país se torne uma potência no tênis. ''Duas tenistas russas se matam em quadra porque querem sempre ser a número um da Rússia. Tem muitas jogadores lá e se perderem, vão ficar para trás no ranking'', apontou Victoria, que deu as primeiras raquetadas aos cinco anos. Ksenia começou com sete, porque antes fazia ginástica olímpica.
As duas adoraram o Brasil. De pulseirinha do Senhor do Bonfim no braço, elas justificam: ''Aqui é quente e nós estamos em frente ao mar'', disse Ksenia. Neste período em que vão ficar no Brasil, as irmãs vai ficar em Balneário Camboriú.

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