RUMO AOS 50 ANOS - Tubarão quer voltar a revelar jogadores
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sábado, 02 de julho de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Quem olha para o passado do Londrina vê uma ''fábrica de craques''. Quem olha para o presente enxerga um albergue de ''ex-jogadores'' em atividade ou protótipos de atletas que tentam ganhar a vida através da bola, muitas vezes por não saber fazer outra coisa.
Próximo de seu cinquentenário, o clube quer acabar com a época de vacas magras e voltar às origens, fabricando novos craques. ''Estamos dando todas as condições para os garotos e queremos prepará-los já para o Paranaense. A intenção é alçar ao menos sete garotos para o profissional, para tentarmos revelar alguém. Desta forma, economizamos com gente de fora e podemos vender algum atleta fazendo dinheiro para o clube'', afirmou o presidente Agostinho Miguel Garrote, que pretende revitalizar a sede campestre do Londrina para abrigar o futuro do clube.
Coincidentemente ou não, a derrocada alviceleste começou com o fim das revelações nas categorias de base londrinense. ''A partir de 99, vinham 'caminhões de jogadores' para defender o Londrina. Com os atletas que vieram de cinco anos pra cá, dá pra montar uns 10 times'', aponta o radialista, conselheiro e ex-vice-presidente do Londrina, Fiori Luiz, que faz parte da história do clube. ''Éramos exportadores e passamos a ser importadores. Teve ano que utilizamos 54 atletas. Culminou nisso aqui (crise)'', reclama Fiori Luiz.
''O Londrina ganhou o Campeonato Paranaense de 92 com um time formado basicamente por garotos, o que quase se repetiu em 93 e 94. Mas depois pararam as revelaçõs e pararam as boas campanhas'', recordou o também radialista J. Mateus, autor de um livro sobre os 40 anos do Londrina e que se prepara para lançar o livro do cinquentenário.
Fiori Luiz aponta as constantes trocas na presidência do clube como um dos fatores principais para essa situação. ''A verdade é que nunca tivemos um Conselho Deliberativo atuante, que cobrasse. Talvez assim fosse diferente. As mudanças no comando também prejudicaram. Ninguém dava sequência no mandato. Era um entra e sai e grupos assumindo. Virou essa decadência''.
Parceria Para ele, a tercerirização das categorias de base por quatro anos para a extinta Londrina Junior Team (LJT) foi muito prejudicial. ''Quem foi revelado depois que eles assumiram?'', questiona Fiori Luiz.
A parceria terminou no fim do ano passado após consecutivos desencontros de informações sobre transferências de jogadores por parte da LJT. Garrote preferiu projetar futuro e não culpar ninguém pela estagnação nas categorias de base do Londrina.
''O trabalho de base é a única saída que eu vejo para a reestruturação do Londrina. Não há clube que consiga se reestruturar sem a base. Um exemplo é o Paulista de Jundiaí. Que bonito foi. Com jogadores formados em casa, com folha de pagamento barata, foi campeão da Copa do Brasil'', lembra Garrote. ''A base é a menina dos olhos desta diretoria''.


