Correr em linha reta nos dois sentidos com uma bandeirinha quadriculada em vermelho e amarelo nas mãos. Assim vai ser a estréia do árbitro londrinense Héber Roberto Lopes fora do País.
Recém nomeado árbitro da Fifa, o londrinense, nascido na Vila Recreio, vai ser apenas assistente na partida entre Emelec e River Plate, em Quito, capital equatoriana, em partida da Copa Libertadores da América, no próximo dia 13.
''Desde 1996 que não exerço esta função, mas irei me preparar mentalmente e tenho certeza que farei um bom trabalho'', disse.
Mas o início modesto promete se transformar em futuro promissor. Um dos melhores árbitros do último Brasileirão foi o mais escalado e participou de 24 rodadas o londrinense não esconde sua vontade de ser o árbitro brasileiro na Copa da Alemanha em 2006. ''Devo concorrer com (o gaúcho) Carlos Eugênio Simon e com (o paulista) Paulo César de Oliveira'', aposta.
Antes disso, Héber conta com sua escalação em jogos da chave sul-americana das Eliminatórias da Copa, que devem começar no próximo ano. ''Pretendo fazer um curso de espanhol para me comunicar melhor dentro do campo'', avisou.
Ele acredita que a participação nesta fase do Mundial pode garantir sua presença em 2006.
Conhecido como disciplinador ele admite usar e abusar dos cartões desde os tempos de adolescente no campo da Rua Tietê, Héber disse que a tendência é ele precisar menos deste recurso na atual temporada. Motivo: o peso do distintivo da Fifa em seu uniforme.
Ele já sentiu a diferença em sua primeira experiência dentro do País. Na última quarta-feira, ele apitou Coritiba 4 x 0 Malutrom, no Estádio Couto Pereira, em partida válida pelas quartas-de-final do Paranaense. ''Quando estava dentro de campo, pensei: Nossa! Como faz diferença este escudo!''.
Além da imposição de respeito dentro de campo, Héber diz que ser um árbitro Fifa implica em se tornar uma referência, um ''espelho'' para os colegas que estão começando. ''É lógico que aumenta a responsabilidade''.
Outro aspecto é o crescimento humano com a convivência de árbitros de boa formação intelectual. Neste ambiente, Héber não vai fazer feio. Já viveu em Roma, onde foi auxiliar de cozinha e garçom. Fala bem italiano e demonstra estar acompanhando via internet e televisão as atuações dos colegas nas principais competições da Europa. ''O intercâmbio atual está padronizando a arbitragem no mundo'', avalia.
Tem planos sólidos para o futuro. Recém casado com Ana Paula, também formada em Educação Física, ele pretende montar uma academia na cidade. ''Quero ter uma atividade paralela porque a carreira de árbitro é curta''. A aposentadoria para árbitros é compulsória aos 45 anos.
O ex-dono de ferro-velho (ele já trabalhou em banco, foi operário, trabalhou como escriturário em várias empresas) que ostenta hoje um padrão de vida de classe média alta também tem outros planos. Quer estudar Jornalismo em breve. E a longo prazo não descarta uma carreira na política partidária.

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