Em um país cuja preferência nacional é o futebol, um grupo de atletas de rugby iniciou nesta semana uma série de clínicas nas escolas municipais de Curitiba para gerar conhecimento e o gosto pelo esporte entre as crianças. O projeto "Vivendo o Rugby" tenta ganhar esse espaço como primeiro passo antes de formar novas bases na modalidade.
O grupo defende o Curitiba Rugby, equipe local que disputa a Liga Sul-Brasileira e tenta, com isso, ganhar mais adeptos. Mesmo sem tradição no país, o grupo acredita ser possível ampliar o quadro de jogadores.
Segundo o fisioterapeuta Gabriel Cristino da Silva, jogador do time, o fato de ser diferente, dinâmico, atrai um público mais jovem. "O esporte em si, como ele é diferente, de contato, está chamando a atenção do pessoal mais novo, onde todos podem jogar, tantos os magros como os mais gordos, pois há espaço no campo. Então ele está com uma grande aceitação, tanto nas escolas como nos clubes", afirma.
Outro ingrediente considerado importante nesse processo de popularização do esporte tem sido a exposição na mídia, principalmente nas televisões. Atualmente, alguns canais de tevê por assinatura transmitem jogos dos campeonatos europeu e mundial, além de amistosos. "Isso aproxima mais as pessoas do esporte e também ajuda na captação de patrocínios", revela Gabriel.
O principal objetivo do projeto é atrair crianças de quinta a oitava séries, principalmente das escolas próximas do bairro Tarumã (local onde fica a sede do clube), em uma parceria com a Prefeitura, que auxilia com o transporte.
"Por ora estamos com quatro escolas e a ideia é fazer (as aulas) de segunda a sexta-feira, no período do contraturno. Por enquanto teremos apenas a categoria masculina e, se tiver mais aceitação entre as meninas, teremos também um grupo feminino", diz Gabriel.
A quantidade de alunos, porém, pode ajudar na montagem dos times, mas não será determinante para o sucesso do projeto. "Quanto mais criança tiver, melhor. Teremos uma grande quantidade de crianças no início, então elas verão como funciona e depois vamos avaliar, saber se gostam de correr, de ter contato, derrubar pessoas. O ideal seriam 60 pessoas divididas de segunda a sexta, com 20 a 30 alunos", afirma o atleta.
Na opinião do advogado Anderson Brandão da Silva, outro que joga no Curitiba Rugby, a divulgação do esporte e o conhecimento gradual também ajudam a reduzir algumas barreiras em relação ao jogo. "O rugby tem muitas regras. A pessoa tem essa proteção devido a essas regras. Ela não pode ser pega pelo pescoço, sem bola. Ainda assim, os pais se preocupam, mas é em qualquer esporte. O esporte exige muita técnica e isso pode ser evitado. Ainda assim, também vamos separar as crianças por idade, passar esses fundamentos como exercícios físicos. Dentro disso, elas aprenderão domínio da bola, passes, fundamentos.", conclui.

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