Rúgbi também é esporte de mulher
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Rafael Souza <br> <br> Reportagem Local 
Nem só de homens gigantes, musculosos e fortões vive o rúgbi brasileiro. O esporte, que ainda luta insistentemente para acabar com a fama de violento, atrai cada vez mais mulheres. Foi-se o tempo em que elas não passavam de meras espectadoras, acompanhantes de seus namorados à beira do campo. Agora, elas se reúnem, formam times, vestem seus uniformes e vão à luta, alimentando o sonho de fazer da modalidade uma das mais populares do Brasil em poucos anos.
Dados da Confederação Brasileira de Rugby apontam que cerca de 500 mulheres sejam praticantes da modalidade no País. Há três anos, este número era cerca de 30% menor. Não fosse o preconceito que elas ainda enfrentam, o número de praticantes mulheres poderia ser ainda maior.
O roteiro é quase sempre o mesmo para todas. O primeiro passo quase sempre é mudar a imagem que pais e familiares têm do esporte. Foi assim com a central do Londrina Rugby Thaís Lacerda, de 25 anos. ''Minha família não queria. Sempre existe este preconceito, mas depois que viram que não ia adiantar, aí eles aceitaram. Hoje está tranquilo'', conta a jogadora, que começou a praticar incentivada pela amiga Mariana Sella, também atleta do time londrinense.
Em Londrina, o time feminino custou a engrenar. Foram algumas tentativas até que o Londrina Rugby Feminino enfim se solidificasse. ''No começo, era difícil, tinha quatro, cinco meninas apenas. A gente convidava as amigas, mas poucas vinham justamente por acharem violento'', relembra Mariana Sella, de 24 anos, uma das fundadoras do time. Hoje, a equipe conta com 12 jogadoras que treinam três vezes por semana e disputam competições na modalidade ''Sevens'', para times de até sete competidores.
A seleção brasileira de rúgbi é um bom exemplo do crescimento do esporte no País. No último Campeonato Mundial, realizado em Dubai, em 2009, a equipe conquistou a 10 posição, a melhor alcançada por um time brasileiro em Mundiais. Além disso, a seleção brasileira feminina é a atual octacampeã sul-americana invicta, reconhecida como a melhor equipe da América Latina, a frente de países tradicionais no rúgbi como Uruguai, Chile e Argentina.
Ex-jogadora da seleção brasileira, a curitibana Ana Carolina Lopes, a Diva, vê ainda outro fator que pode favorecer o crescimento do esporte entre as mulheres no Brasil. ''As brasileiras têm em estereótipo propício para a prática do rúgbi, um bom jogo de pernas, estrutura forte'', destaca.
Mas é preciso estar preparada também para alguns arranhões e joelhos e braços ralados. ''É um esporte de contato, mas contato existe em muitas outras modalidades. E isso não quer dizer que seja violento'', defende Mari Sella. Quem tiver interesse em fazer parte do time de rúgbi de Londrina pode encontrar mais informações em www.londrinarugby.com.


