São Paulo - Tempos atrás, o comercial na tevê anunciava: "Isso ainda vai ser grande no Brasil". O que parece improvável para muitos, no entanto, virou meta para o rúgbi brasileiro. Com a ajuda de uma das maiores empresas de consultoria do mundo, os dirigentes da modalidade no País apostam: o rúgbi, pouco divulgado e praticado no Brasil, tem tudo para ser o "novo vôlei" em 20 anos.
Para alcançar esse objetivo, a Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu), criada em 2010, tem um planejamento estratégico até 2030 criado pela consultoria Deloitte. De acordo com o estudo, há espaço para que a modalidade, irmã de sangue do futebol, atraia a atenção do brasileiro.
A CBRu aposta em dois caminhos: a chegada da seleção brasileira à elite do rúgbi e o fomento da prática entre as crianças. Acordos com o Sesi e a escola de idiomas Cultura Inglesa, aliás, já garantem a iniciação no esporte.
E o potencial da modalidade foi detectado pela iniciativa privada. A CBRu é a entidade que mais tem patrocinadores entre as confederações brasileiras - com a óbvia exceção da CBF. No total, são 12 apoiadores, como Topper (fornecedora de material esportivo e responsável pelo comercial que prevê a "grandeza" do rúgbi), Bradesco e Heineken. O orçamento da entidade é de R$ 7 milhões anuais - em 2009, era de R$ 30 mil.
A presença do rúgbi em território nacional, no entanto, ainda é modesta. São 115 equipes em 23 Estados e o número de praticantes chega a dez mil - 90% deles são homens. Mas falta estrutura, conforme admite o presidente da CBRu, Sami Arap Sobrinho. "O rúgbi não está presente nos clubes. Temos equipes que treinam em parques". O Brasil tem só oito campos oficiais do esporte, mas assim mesmo quer ter 500 mil atletas em 2030.

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Para conquistar a popularização, o rúgbi terá um "empurrãozinho" em menos de quatro anos: o esporte voltou a ser olímpico em 2009 e fará a reestreia no programa dos Jogos na edição de 2016, no Rio de Janeiro. O evento olímpico do rúgbi é o Sevens - como diz o nome, são apenas sete jogadores em cada equipe, em vez de 15, como nas principais competições do mundo. A modalidade olímpica, sendo assim, está para o rúgbi tradicional como o futsal está para o futebol de campo.
A CBRu já aposta na seleção feminina, atual octacampeã sul-americana e invicta no continente, como medalhista em casa. "É possível sonhar com a medalha, mas temos muito para trabalhar", disse Beatriz Futuro, uma das atletas da seleção e capitã do Niterói Rugby Club.
Para alcançar objetivo tão ousado, o rúgbi brasileiro ganhou um apoio importante. No fim de 2012, a CBRu assinou um contrato de consultoria até 2017 com os neozelandeses do Crusaders, uma das principais equipes de rúgbi do mundo, e um com a Federação de Canterbury, a região da Nova Zelândia que mais cedeu atletas aos All-Blacks, como é conhecida a vitoriosa seleção do país da Oceania.
A metodologia do país, dominante na modalidade, deve ajudar o Brasil a conquistar alguns de seus principais objetivos - especialmente com as seleções masculinas, ainda sem resultados expressivos. A "menina dos olhos" da CBRu é a conquista da classificação para a Copa do Mundo. O plano é que o Brasil obtenha uma vaga na edição de 2019 do torneio, no Japão.

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