Agência Estado
De Maranello, Itália
O primeiro dia de trabalho de Rubens Barrichello na Ferrari, ontem em Fiorano, confirmou o que seus sete anos de F-1 lhe sugeriam: é muito mais fácil pilotar um carro vencedor. ‘‘Não há mais desculpas, eu tenho agora de ganhar, o F399 é fantástico, de reações previsíveis e a equipe dispõe de recursos técnicos impressionantes’’, disse ele, depois de completar 58 voltas na pista particular da Ferrari, sob frio intenso.
De manhã foram apenas seis voltas, em razão de alguns problemas eletrônicos. ‘‘Nosso time estava experimentando soluções que deverão ser usadas ano que vem.’’ Para a sessão da tarde, bastou ele solicitar uma alteração na pedaleira para que, em cerca de uma hora, tudo estivesse como gostaria. ‘‘No começo do teste, toda vez que freava meu pé direito batia no pedal do acelerador’’, disse. ‘‘Pedi que eles reduzissem os dois pedais e, para minha surpresa, quando recomecei o treino os pedais haviam sido refeitos.’’
Como pretendia, Rubinho pôde usar o pé direito para frear. Ao redor da pista de 2.976 metros havia muita neve. ‘‘O asfalto esteve úmido durante o dia todo’’, contou. A sua melhor volta foi em 1min02s148, na 44ª passagem. Para as condições do treino, uma marca ‘‘excelente’’, segundo uma fonte da equipe. O recorde da F399 em Fiorano é de Luca Badoer, piloto de testes da Ferrari, que em outubro fez 1min00s881, com pneus moles, temperatura de 20 graus e simulando uma classificação.
O que mais impressionou o piloto foi a facilidade de condução do carro. ‘‘Primeiro a posição de dirigir, bastante cômoda, depois o equilíbrio do chassi e a flexibilidade do motor, com respostas de potência em todas as faixas de giro.’’ O teste foi prestigiado até pelo presidente da empresa, Luca di Montezemolo.
Pouco antes de deixar o box do circuito, Rubinho disse ter-se lembrado da sua estréia na F-1, no GP da África do Sul de 1993, pela Jordan. ‘‘Eu estava sentado no carro e o primeiro treino livre iria iniciar-se’’, conta. ‘‘Nessa hora vi o Ayrton Senna dentro da McLaren na minha frente e não sabia se olhava para ele ou para a televisão, colocada na minha frente.’’ Foi aí que ele diz ter acordado para a realidade. ‘‘Tive de me beliscar e dizer a mim mesmo para deixar de sonhar e me conscientizar que eu também era um piloto de F-1.’’
Ontem, ao começar a acelerar o carro da Ferrari, teve de proceder da mesma forma consigo próprio. ‘‘Chega Rubinho, você está mesmo aqui e trate de produzir e bem’’, comentou ter dito a ele mesmo. O piloto lamentou a decisão da Stewart de não deixá-lo falar com a imprensa, na coletiva programada para o meio-dia de ontem. Claudio Berro, assessor da Ferrari, explicou que a Stewart alegou que seria uma atividade promocional e não a autorizou.
Para completar o quadro de emoções vivido por Rubinho, ele está dormindo desde ontem no quarto mantido pela Ferrari a um dos seus pilotos, dentro do circuito, na casa onde o Comendador Enzo Ferrari seguia as corridas e os treinos. ‘‘Não há luxo, mas é tudo muito funcional’’, definiu.Sob um frio intenso, brasileiro pilota a Ferrari pela primeira vez e conclui: com um carro desses, chegou a hora de vencer
- France PresseMORAL ALTORubens Barrichello em Maranello: teste foi prestigiado pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo- France PresseRubinho na pista de Fiorano: ‘Carro tem reações previsíveis e a equipe, recursos técnicos impressionantes’

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