A opinião era quase unânime dentro da própria F-1: foi uma das maiores vitórias de um piloto na história do Mundial. E quem a conquistou ontem, em Hockenheim, foi o mais polêmico piloto brasileiro que já passou pela F-1: Rubens Barrichello. ‘‘Sinto-me outro homem, mais leve, acho que o peso da morte do Ayrton Senna, a quem dedico essa minha primeira vitória na F-1, deve estar voando por aí.’’
Rubinho precisou disputar 124 corridas para vencer pela primeira vez no Mundial, um recorde de perseverança. Mas seu trabalho ontem, na 11ª etapa do campeonato, ganhar a prova depois de largar em 18º, o coloca na antologia dessas competições, com muitas ultrapassagens e decisões ousadas. ‘‘Nós na Ferrari optamos por dois pit stops para, se tudo desse certo, chegarmos na terceira colocação’’, contou muito emocionado.
Mika Hakkinen e David Coulthard, a dupla da McLaren, segundo e terceiro colocados, procuraram ajudá-lo a sair do choro convulsivo que o dominara no pódio, enquanto ouvia o hino nacional. A bandeira do Brasil que tinha nas mãos o auxiliou a enxugar as lágrimas.
Desde o GP da Austrália de 1993, portanto há 118 corridas, que o Brasil não comemorava uma vitória na F-1. ‘‘Nas duas voltas finais, que pareciam nunca acabar, fiquei pensando naquela música que tocavam na época do Ayrton e se meu avô não teria um ataque cardíaco’’, contou, sempre com os olhos marejados e cercado dos integrantes da Ferrari, alucinados com a conquista. ‘‘Quando nossa equipe ganha é o talento do Michael Schumacher que venceu; agora, como fui eu, eles se sentem, com toda razão, vitoriosos também’’, declarou Rubinho. ‘‘Agradeço a Deus a chance de guiar uma Ferrari.’’
Mas Michael Schumacher o aguardou no parque fechado, sob a torre, para abraçá-lo tão logo deixasse o cockpit. ‘‘Quando um companheiro de equipe abraça o outro pode parecer falsidade, mas o abraço que ele me deu foi sincero, muito carinhoso, e valeu muito.’’ O alemão comentou o resultado: ‘‘Rubens mereceu; foi o melhor piloto da prova, essa vitória é importante para ele, para nossa escuderia e para mim.’’ O primeiro lugar de Rubinho manteve Schumacher na liderança do campeonato, bem como a Ferrari permaneceu em primeiro entre os construtores (veja quadros nesta página).
O que nem mesmo Rubinho se deu conta é que com os dez pontos de ontem ele entra diretamente na luta pelo título. ‘‘Não quero nem pensar nisso, hoje é dia de comemoração por essa conquista, amanhã (hoje) talvez eu reflita melhor.’’ Restam seis etapas para o encerramento da temporada. Schumacher acusou Giancarlo Fisichella pelo acidente que, de novo, o tirou da corrida, ainda na largada.

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