São Paulo, 12 (AE) - A quebra do motor da Stewart de Rubens Barrichello, domingo em Interlagos, não chegou a tirar o sono do piloto. Hoje à tarde, porém, ele ainda sentia enorme vazio no peito: "Tinha tanta confiança de que não iria acontecer nada; ainda estou meio desapontado", disse. "Não é fácil aceitar certas coisas, como deixar de vencer uma corrida (Austrália) e de chegar ao pódio na outra."
Ter as mesmas atividades de um dia normal foi a saída de Barrichello para procurar esquecer a decepção do dia anterior. "Acordei às 8 horas, fui correr no Ibirapuera, fiz massagem, participei de um programa de TV e depois joguei boliche com meu pai e meu avô, no Morumbi." O problema é que a todo instante os torcedores lhe diziam "valeu, Rubinho", ou "da próxima vez nós ganhamos". "Recebi manifestações de muito carinho, mas elas, sem que as pessoas soubessem, acabavam por me relançar ao meu drama", contou.
Durante a corrida, sua preocupação maior era manter-se concentrado. "Confesso que às vezes dava uma escapadinha com os olhos para a arquibancada, no início da reta dos boxes, e depois que passei o Mika Hakkinen via todo mundo de pé." Outra manobra que agitou a torcida, e Barrichello pôde perceber do carro, foi a ultrapassagem sobre Eddie Irvine, da Ferrari. "Ainda que por segundos, via as pessoas acenarem para mim de todas as formas."
O saldo do GP do Brasil para Barrichello é bastante positivo, apesar de não ter concluído a prova. "Acho que os torcedores puderam finalmente ver o Rubinho com que sonhavam", comentou. "Na minha avaliação, fui, vamos dizer, convincente." Outro ponto que a corrida de Interlagos comprovou foi a evolução da Stewart, sua equipe. "Quando abandonei a prova, havia aberto mais de 15 segundos de todos os outros pilotos, exceto o Mika Hakkinen (McLaren) e o Michael Schumacher (Ferrari)."
Depois de duas etapas disputadas, o carro da Stewart só não é mais veloz que o da McLaren e o da Ferrari, mas o pilotado por Schumacher, na sua avaliação. "Corremos em dois circuitos bem distintos e fomos competitivos nos dois."
Com a cabeça um pouco mais fria, Barrichello pôde analisar melhor sua participação no GP do Brasil. "Na volta de apresentação, reparei que havia óleo sobre o asfalto, antes e no ponto de freada do S do Senna; achei que alguém ia rodar ali", contou. "Como o Coulthard ficou na largada, joguei o carro para o lado esquerdo para fugir daquele óleo e assumir posição mais defensiva na primeira freada." A manobra deu certo. "Consegui me manter na segunda colocação."
Na volta seguinte, Barrichello explicou, Schumacher quase rodou naquele ponto da pista. O óleo fora derramado por um dos carros que, pouco antes, disputara uma prova do Sul-Americano de Super-Turismo. Sua projeção para a próxima etapa do campeonato, dia 2, em Ímola, é otimista: "Acho que dá para repetir o bom desempenho de Interlagos."

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