São Paulo, 26 (AE) - Rubens Barrichello deixou o cockpit da sua Ferrari, dentro do box da equipe, tirou lentamente o capacete, sentou numa cadeira e, por três minutos, assistiu sozinho à corrida num aparelho de TV. Sua esposa, Silvana, se aproximou, e procurou consolá-lo. "Estou muito desapontado, queria retribuir a essa gente toda um pouco do que recebi aqui." Na 27ª volta da prova, quando estava em quarto, atrás de Mika Hakkinen, Michael Schumacher e David Coulthard, uma perda de pressão no sistema hidráulico da sua Ferrari o obrigou a abandonar.
"Minha primeira vitória está perto, pena não ter sido aqui essas pessoas mereciam", disse o piloto, parecendo ter absorvido já o impacto da desistência forçada, antes ainda da metade da prova. "Eu espero retribui bem rápido o apoio que recebi." Antes da largada, grande parte das 68 mil pessoas que lotavam o autódromo de Interlagos, a maioria usando um boné, ou uma camisa vermelha da Ferrari, gritou em coro o seu nome, deixando os estrangeiros impressionados.
"Meu primeiro problema foi com os freios, que bloquearam as rodas traseiras e quase rodei", revelou. "Depois comecei perder pressão hidráulica que se manifestou na direção do carro (ela é hidráulica)", contou. "A seguir meu acelerador passou a falhar." Por fim, tudo o que a F1-2000 lhe permitiu foi se chegar lentamente aos boxes. Pela projeção da corrida, Rubinho perdeu uma segunda colocação certa, o que o deixaria com 12 pontos no Mundial, diante de 20 de seu companheiro, Michael Schumacher, e não 6, como agora.
"Não fiz uma grande largada, Michael foi melhor." Até que os problemas hidráulicos se apresentassem, Rubinho contou poder manter um ritmo forte de corrida. "A não ser por aquele travamento dos freios, eu estava bem veloz na pista." Por conta dessa dificuldade com os freios, Rubinho chegou a perder a posição para David Coulthard e Mika Hakkinen, pilotos que ele ultrapassou no fimda Reta dos Boxes, levantando o público no autódromo.
O escocês ele conseguir deixar para trás já na volta seguinte, mas Hakkinen, apesar de mais lento, por estar com a McLaren mais pesada, não lhe dava a chance da ultrapassagem. Rubinho faria duas paradas enquanto o finlandês apenas uma. Apenas na 14ª volta o piloto brasileiro conseguiu ganhar a posição de Hakkinen novamente, tempo que com certeza lhe faria falta no final se o piloto da McLaren tivesse prosseguido na prova.
A Ferrari testa amanhã e depois (28) em quarta-feira em Varano, com Luca Badoer. O italiano fará testes de aerodinâmica com os componentes que deverão ser incorporados na F1-2000 na próxima etapa do Mundial, em Ímola. Schumacher trabalha quinta-feira, sexta-feira e sábado em Mugello, visando também o GP de San Marino. Rubinho descansa do desgaste das duas últimas semanas em São Paulo.