Rubinho revela segredo do sucesso da Stewart
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 13 (AE) - Quando Rubens Barrichello assumiu a primeira colocação na quarta volta do GP do Brasil, domingo em Interlagos, e depois a manteve até seu pit stop, na 27ª volta, a pergunta mais comum nos boxes era: o que fez a equipe Stewart-Ford para seu carro andar na frente da Ferrari e até da McLaren?
"O modelo SF-03 é o resultado de uma combinação de mudanças estruturais que realizamos na Stewart Grand Prix", diz o proprietário da escuderia, o escocês Jackie Stewart, ex-piloto
três vezes campeão do mundo. "A fábrica, o diretor-técnico, diretor-esportivo, o motor, o projeto, tudo é novo na nossa organização."
Curiosamente, o projeto do SF-03 não é do atual diretor-técnico, o irlandês Gary Anderson, mas do inglês Alan Jenkins, que se demitiu da Stewart depois da contratação de Anderson, em novembro. "O Gary redesenhou a suspensões dianteira e traseira, o assoalho e fundamentalmente criou outra mentalidade da Stewart", explica Barrichello. "Antes da sua chegada, para experimentarmos alguma alteração substancial no carro eram necessários meses de estudo, quando ocorriam", lembra Barrichello.
De uma semana para a outra Gary Anderson é capaz de criar soluções novas, conta o piloto. "O SF-03 nasceu rápido, mas o dedo do Gary já o deixou um segundo mais veloz." Barrichello e Anderson trabalharam juntos na Jordan de 1993 a 1996. Na F-1 comentava-se no sábado, depois de o piloto brasileiro obter a terceira colocação no grid, atrás apenas da McLaren, que tanto Jenkins quanto Anderson, sozinhos, não desenhariam um modelo de F-1 tão eficiente.
O SF-03 reuniu todo o conhecimento acadêmico do engenheiro Jenkins com a praticidade do ex-mecânico de Wilson Fittipaldi na Brabham, Anderson. As dimensões e peso reduzidos do novo motor Ford é um dos fatores essenciais apontados por Barrichello para explicar o sucesso do SF-03.
"Por ser pequeno, baixo e leve, Jenkins teve maior liberdade para estudar a aerodinâmica, além de poder abaixar o centro de gravidade." O peso reduzido do V-10 da Ford, estimado em cerca de 100 quilos, contra 115, por exempo, do Mercedes da McLaren, garantiu também ao projeto um recurso fundamental: variar a distribuição de peso. O SF-03 está bem abaixo dos 600 quilos mínimos exigidos pelo regulamento, incluindo o piloto. "Nós podemos distribuir onde desejamos os cerca de 25 quilos de lastro que temos de colocar no carro", fala Barrichello.
Na prática, esses avanços se traduziram num monoposto bastante equilibrado na entrada, meio e saída de curva, seja ela de baixa, média ou alta velocidade. O SF-03 freia e traciona também com muita eficiência e ainda apresenta boa retomada de velocidade, por contar com um bom motor. "O mais difícil, sermos velozes, nós já conseguimos, falta agora a resistência do conjunto, tarefa menos complexa", analisa o piloto, que complementa: "O mais gostoso é que fizemos tudo isso gastando U$ 50 milhões a menos que a McLaren e a Ferrari."


